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Crítica | Multiplayer de Call of Duty: Modern Warfare 4 joga no seguro, mas a Infinity Ward continua tropeçando nos mesmos problemas

Foto do escritor: Lucas Venancio
Lucas Venancio
há 12 minutos
12 min de leitura

Agradecemos à Activision e à Theogames pela disponibilização do código da Edição Cofre de Call of Duty: Modern Warfare 4, para a produção desta crítica e contribuirá para a continuidade da nossa cobertura completa sobre o game e a franquia.


O multiplayer de Call of Duty: Modern Warfare 4 chega com uma proposta que, à primeira vista, parece bastante promissora. Depois de anos de críticas direcionadas à Infinity Ward, o estúdio demonstrou uma postura diferente durante o período de testes, ouvindo a comunidade e promovendo alterações importantes entre os dois finais de semana da Beta. A movimentação, o balanceamento das armas, o tempo para matar (TTK), o áudio dos passos e até o posicionamento dos jogadores nos mapas passaram por ajustes. Uma atitude que chamou a atenção de uma comunidade acostumada a cobrar mudanças e, muitas vezes, não encontrar respostas satisfatórias.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks


A postura também representou uma mudança de discurso em relação aos ciclos anteriores da franquia. Após a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft e as reformulações internas nos estúdios, havia uma expectativa sobre como a Infinity Ward conduziria seus próximos projetos. Durante a Beta, porém, a equipe demonstrou disposição para acompanhar as partidas, analisar as opiniões dos jogadores e implementar mudanças antes do lançamento. Pesquisas de satisfação ao final das partidas também ajudaram a aproximar o estúdio de quem estava experimentando o jogo.


E não parecia apenas uma estratégia de marketing para convencer os fãs a comprarem mais um título da franquia. As mudanças entre os períodos de teste foram perceptíveis, com ajustes em armas, movimentação, áudio e TTK. Mesmo depois do lançamento, a Infinity Ward continuou publicando atualizações e correções, demonstrando que pretende acompanhar o desempenho do multiplayer. Ainda assim, ouvir a comunidade é apenas o primeiro passo. Para uma franquia com ciclos anuais e jogadores que permanecem ativos durante meses, o suporte precisa ser constante e acompanhado de mudanças que realmente façam diferença.


Mas, afinal, como está o multiplayer de Modern Warfare 4 depois dos dois finais de semana da Beta e de sua chegada oficial?


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Um retorno ao básico, mas sem grandes riscos


O multiplayer de Modern Warfare 4 é, sem dúvidas, o mais bem recebido entre os três projetos da trilogia reboot da Infinity Ward em termos de proposta geral. Isso não significa, entretanto, que seja necessariamente o mais completo ou revolucionário. O estúdio preferiu recuperar características conhecidas da franquia, corrigir parte dos problemas que marcaram seus trabalhos anteriores e evitar mudanças muito profundas na estrutura tradicional.


Modern Warfare (2019) teve o desafio de apresentar uma nova geração tecnológica para a franquia. A remodelação da engine trouxe uma evolução considerável em iluminação, texturas, ambientação e sonorização. O resultado foi um jogo visualmente impressionante, que também apresentou problemas em seu ritmo de partidas, no desenho dos mapas e em algumas decisões de gameplay. A chegada de Warzone ampliou ainda mais o alcance daquele projeto, transformando sua estrutura em uma das bases mais importantes da história recente de Call of Duty.


Já Modern Warfare III (2023), desenvolvido pela Sledgehammer Games, teve um lançamento bastante conturbado. Inicialmente, o título foi criticado por sua proximidade com o antecessor e por reaproveitar todos os mapas do MW2 (2009) e sistemas conhecidos. Apesar disso, o jogo recebeu uma quantidade expressiva de conteúdo durante seu ciclo de vida, com atualizações frequentes, novos mapas, modos e ajustes solicitados pela comunidade. Assim, transformando o game por completo e agradando a comunidade que ainda o considera um dos melhores multiplayers dessa nova era da franquia.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Agora, a Infinity Ward parece ter escolhido um caminho mais conservador. Os mapas de Modern Warfare 4 misturam a tradicional estrutura de três rotas com elementos mais realistas, incluindo atalhos, corredores, construções e diversos segundos andares. É uma identidade familiar para quem acompanha os jogos do estúdio, mas com algumas concessões para deixar os confrontos mais dinâmicos.


O sistema de vantagens e o Armeiro também retornam, mantendo uma estrutura de fácil compreensão para jogadores veteranos e iniciantes. Essa acessibilidade parece fazer parte da estratégia para aproximar diferentes públicos, especialmente aqueles que chegam ao multiplayer por meio de Warzone. Entretanto, o conjunto acaba transmitindo uma sensação de familiaridade excessiva. Existem melhorias pontuais, mas poucas novidades capazes de transformar a experiência de maneira significativa.


A quantidade de mapas no lançamento está dentro da média da franquia, com opções originais distribuídas entre os modos tradicionais, Guerra Terrestre e Gunfight. São 12 mapas para partidas principais de 6v6, três cenários de Guerra Terrestre e quatro arenas para Gunfight, além de Kill Block. É uma seleção razoável, embora fique atrás da variedade apresentada por Black Ops 7, que chegou com um pacote de conteúdo mais robusto, especialmente pela presença de mapas remasterizados.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

SBMM continua sendo o maior problema


Se existe um assunto capaz de dividir e irritar a comunidade de Call of Duty, é o sistema de matchmaking baseado em habilidade, conhecido como SBMM. A discussão acompanha a franquia há anos e voltou a ganhar força durante a Beta de Modern Warfare 4. A Infinity Ward prometeu experimentar uma abordagem de matchmaking mais próxima do modelo clássico, buscando equilibrar habilidade, conexão e outros fatores para oferecer partidas mais variadas.


O problema é que, na prática, a experiência não correspondeu às expectativas de muitos jogadores.


O SBMM não é uma criação exclusiva da Infinity Ward, mas a maneira como o sistema é implementado em cada título pode transformar completamente a experiência. A intenção de aproximar jogadores com níveis semelhantes de habilidade é compreensível, principalmente para evitar que iniciantes sejam constantemente eliminados por adversários muito mais experientes. Entretanto, quando essa lógica se torna excessivamente rígida, o multiplayer casual começa a parecer uma sequência interminável de partidas competitivas.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

É justamente essa sensação que encontramos em Modern Warfare 4. O nível de dificuldade das partidas está bastante elevado, com confrontos extremamente disputados e pouco espaço para momentos mais descontraídos. Mesmo jogadores experientes, acostumados a manter bons resultados em outros títulos da franquia, podem encontrar dificuldades para manter um desempenho consistente.


Em nossas partidas, a impressão é de que praticamente todos os confrontos exigem atenção máxima. Em vez de alternar entre partidas mais tranquilas e outras mais competitivas, o jogador frequentemente encontra adversários que conhecem muito bem os mapas, dominam a movimentação e aproveitam qualquer oportunidade para conseguir eliminações.


É possível observar essa situação ao acompanhar o K/D (proporção entre eliminações e mortes) dos jogadores durante as partidas ou até mesmo comparar o desempenho de amigos na lista social. Jogadores que costumavam apresentar resultados positivos em outros Call of Duty estão encontrando mais dificuldades para manter suas estatísticas. Naturalmente, o K/D isolado não comprova o funcionamento do matchmaking, mas ajuda a ilustrar a percepção de parte da comunidade.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

A discussão também ganhou força nas redes sociais e em fóruns especializados após o lançamento. A sensação de que partidas casuais estão se transformando em confrontos extremamente competitivos aparece entre as reclamações mais recorrentes. A Infinity Ward ainda precisa demonstrar que a proposta de matchmaking apresentada antes do lançamento realmente funciona como prometido.


Black Ops 7 mostrou que uma abordagem menos rígida pode tornar a experiência mais agradável, mesmo sem representar uma solução definitiva para o problema. Em Modern Warfare 4, entretanto, a sensação é de que a Infinity Ward voltou a insistir em um modelo que desgasta justamente os jogadores que permanecem ativos durante todo o ciclo anual.


TTK e registro de tiros precisam de atenção


Outro ponto que merece atenção é o tempo para matar. Depois das alterações realizadas durante a Beta, o TTK foi ajustado para o lançamento, mas ainda apresenta uma inconsistência perceptível durante as partidas.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Em alguns confrontos, os adversários são eliminados rapidamente, enquanto em outros parece ser necessário disparar uma quantidade muito maior de munição para conseguir o mesmo resultado. Parte dessa sensação pode estar relacionada ao balanceamento das armas, às regiões atingidas e às diferenças entre os multiplicadores de dano. Entretanto, existe outro problema que acaba tornando tudo ainda mais frustrante: o registro dos disparos.


O hit registration não parece funcionar de maneira consistente em determinadas situações. Há momentos em que a quantidade de tiros visualmente conectados ao adversário não corresponde ao resultado do confronto. Isso cria uma sensação de imprevisibilidade, especialmente quando o jogador acredita ter acertado uma sequência de disparos, mas acaba eliminado antes de conseguir finalizar o oponente.


É importante separar um problema de registro de tiros de uma diferença legítima de dano entre armas ou regiões do corpo. Ainda assim, a experiência durante as partidas indica que a questão precisa ser investigada com prioridade. A própria Infinity Ward realizou uma primeira rodada de ajustes nas armas após o lançamento, buscando normalizar multiplicadores de dano e tornar o TTK mais consistente.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

O problema é que, enquanto a sensação de inconsistência permanecer, será difícil encontrar um ritmo de combate realmente satisfatório. Em um jogo competitivo, a confiança de que os disparos estão sendo registrados corretamente é fundamental.


Movimentação ágil, mas os passos continuam favorecendo o jogo defensivo


A movimentação é um dos pontos positivos do multiplayer. Depois das críticas à lentidão de Modern Warfare II (2022), a Infinity Ward parece ter encontrado um meio-termo mais interessante. Os deslocamentos estão mais ágeis, com uma fluidez que lembra Modern Warfare III e alguns elementos da Omnimovimentação apresentada em Black Ops 6.


O resultado é uma experiência mais dinâmica, que permite alternar entre confrontos, reposicionamentos e movimentações rápidas pelo cenário. Ainda existem ajustes que poderiam ser feitos, mas a sensação geral é bastante superior àquela encontrada no projeto de 2022.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Por outro lado, o áudio dos passos continua sendo um problema para quem gosta de jogar de maneira agressiva. A Infinity Ward melhorou a sonorização entre o primeiro e o segundo final de semana da Beta, mas os passos ainda são bastante audíveis, permitindo que adversários identifiquem a aproximação de outros jogadores com facilidade.


Com isso, a vantagem Ninja acaba se tornando praticamente obrigatória para quem deseja se movimentar pelo mapa sem revelar constantemente sua posição. O retorno da habilidade como vantagem também é interessante, especialmente para quem sente falta de uma alternativa permanente ao Silêncio Mortal, que funcionava como melhoria de campo temporária em alguns títulos recentes da série.


Outro problema antigo do estúdio continua presente: o sistema de respawn. Mesmo com os ajustes realizados antes do lançamento, o posicionamento dos jogadores ainda pode produzir situações bastante frustrantes. Existem partidas em que uma equipe fica presa em uma sequência de eliminações, sem conseguir avançar pelo mapa ou encontrar uma oportunidade de reorganização.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Também é comum encontrar adversários surgindo muito próximos da posição do jogador, ou até mesmo nascer em uma região onde o inimigo está praticamente ao lado. Isso prejudica a previsibilidade dos confrontos e torna algumas mortes difíceis de evitar.


Quando somamos o áudio dos passos, o sistema de respawn e a intensidade do matchmaking, percebemos como o conjunto pode favorecer jogadores que preferem permanecer parados, esperando os adversários aparecerem. Para quem gosta de avançar, disputar objetivos e buscar confrontos constantemente, a experiência acaba sendo mais punitiva.


É uma característica que acompanha parte dos projetos da Infinity Ward desde 2019 e que ainda precisa de uma solução mais consistente.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Apex Attachments e progressão tornam o grind mais interessante


Nem tudo é repetição. Uma das adições mais interessantes do multiplayer são os acessórios Apex, desbloqueados quando uma arma alcança seu nível máximo. Essas modificações podem transformar o comportamento de determinados armamentos, oferecendo novas possibilidades de personalização e alterando a maneira como cada equipamento funciona durante as partidas.


A ideia lembra os acessórios de prestígio presentes em Black Ops 7, permitindo que jogadores dedicados tenham uma recompensa adicional ao investir tempo em suas armas favoritas. Outro detalhe positivo é que os acessórios Apex não ocupam um dos cinco espaços tradicionais de personalização, permitindo manter outras modificações sem abrir mão desse recurso.


A progressão das camuflagens também segue uma estrutura relativamente acessível. Para quem gosta de completar desafios e buscar o famoso grind, os requisitos não parecem excessivamente cansativos. Os desafios diários também são tranquilos de concluir, oferecendo objetivos adicionais sem exigir uma quantidade exagerada de partidas.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Outra mudança bastante bem-vinda está nos vales de XP. Agora, os bônus funcionam somente durante as partidas e são pausados automaticamente quando o jogador retorna aos menus. É uma alteração simples, mas que atende a uma reclamação antiga da comunidade, já que anteriormente era possível desperdiçar parte do tempo de um vale enquanto aguardava partidas ou organizava equipamentos.


Os relógios dos operadores também voltaram a funcionar como em Modern Warfare (2019), recuperando uma característica que havia desaparecido em alguns títulos posteriores. Na Edição Cofre, operadores como Valeria, Price e Ghost ainda apresentam elementos cosméticos adicionais, incluindo interações com máscaras e novas animações.


São detalhes que não mudam o funcionamento das partidas, mas ajudam a dar personalidade aos operadores e valorizam as opções de customização.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Kill Block e Possessão são destaques entre os modos


Entre as novidades mais interessantes está Kill Block, uma proposta que adiciona uma grande variedade de configurações ao combate. Com mais de 500 combinações possíveis de estruturas e elementos no cenário, o modo oferece confrontos diferentes e aumenta a diversidade das partidas.


A ideia é bastante interessante, principalmente por trazer uma experiência que foge um pouco dos mapas tradicionais. O problema é que, inicialmente, Kill Block ficou limitado às modalidades de Gunfight, restringindo seu alcance para quem gostaria de experimentar a novidade em outros formatos. A Infinity Ward confirmou que o recurso receberia suporte para partidas 6v6 posteriormente, o que pode ampliar bastante seu potencial.


O retorno de Guerra Terrestre também merece destaque. Utilizando áreas de Imjin Farmland e outros cenários de maior escala, o modo recupera os confrontos com equipes numerosas e objetivos espalhados pelo mapa. É uma experiência mais descontraída em comparação às partidas tradicionais, permitindo que os jogadores explorem o cenário e participem de batalhas maiores.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Entretanto, encontrar partidas em servidores brasileiros pode ser uma tarefa complicada em determinados horários, especialmente pela quantidade de jogadores necessária para preencher as salas. É uma pena, pois o modo tem potencial para oferecer uma alternativa interessante ao 6v6.


Já Possessão, o evento temático de Halloween, é uma das adições mais divertidas deste período inicial. A mecânica permite que, após eliminar um adversário, o jogador seja transportado para a localização exata em que o inimigo foi derrotado, assumindo sua aparência e seu armamento personalizado.


A dinâmica transforma os confrontos em uma experiência caótica e imprevisível. Além de criar situações engraçadas, a mecânica incentiva os jogadores a pensarem rapidamente sobre seus próximos movimentos, já que cada eliminação pode alterar completamente sua posição no mapa.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

É o tipo de modo temporário que merece retornar em futuras comemorações de Halloween ou até mesmo ganhar novas versões durante o ciclo de vida do jogo.


Séries de pontuação e desafios poderiam oferecer mais liberdade


As séries de pontuação também merecem uma observação. A quantidade de opções disponíveis parece limitada, principalmente quando comparada a outros títulos da franquia. Algumas combinações de recompensas acabam não sendo possíveis dentro de um mesmo conjunto, impedindo, por exemplo, que o jogador utilize determinadas ferramentas de reconhecimento e suporte simultaneamente.


É uma característica que pode incomodar quem gosta de montar combinações específicas para cada estilo de jogo. A Infinity Ward poderia oferecer mais liberdade na personalização das séries, permitindo que os jogadores experimentassem estratégias diferentes sem tantas restrições.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

Por outro lado, o retorno dos Pointstreaks é uma excelente decisão. O sistema, visto em Modern Warfare 3 (2011), funciona como um meio-termo entre as tradicionais séries de eliminações e os Scorestreaks, recompensando o jogador também por ações realizadas durante a partida.


Dessa forma, quem participa dos objetivos e contribui para a equipe pode avançar na progressão das recompensas sem depender exclusivamente de eliminações. É uma escolha que valoriza diferentes estilos de jogo e combina bem com a estrutura tradicional do multiplayer.


Outro ponto que merece atenção é a ausência dos desafios semanais, presentes em Modern Warfare III e Black Ops 7. Para a primeira temporada, a Activision optou por concentrar a progressão em eventos recorrentes, com recompensas como camuflagens, acessórios Apex, cartões de visita e visuais de operadores.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

A proposta pode funcionar, especialmente se os eventos trouxerem objetivos variados e recompensas realmente interessantes. Ainda assim, os desafios semanais faziam parte da rotina de muitos jogadores e ajudavam a manter o interesse durante o ciclo de conteúdo. Resta acompanhar se a nova estrutura será suficiente para sustentar a progressão ao longo das temporadas.


Um multiplayer que precisa provar seu potencial


Call of Duty: Modern Warfare 4 é um multiplayer que joga no seguro. A Infinity Ward recupera elementos conhecidos, melhora a movimentação, adiciona novas possibilidades de personalização e demonstra uma postura mais aberta aos comentários da comunidade. O resultado é uma experiência competente, que consegue divertir e oferecer bons momentos, mas que ainda está longe de representar uma evolução significativa para a franquia.


O maior problema é que os erros mais antigos continuam aparecendo. O SBMM excessivamente intenso, a inconsistência no registro dos disparos, os problemas de respawn e o áudio dos passos prejudicam o ritmo das partidas e acabam diminuindo o prazer de jogar durante longas sessões.


Gameplay capturada por: Be Geeks
Gameplay capturada por: Be Geeks

As novidades também poderiam ser mais ambiciosas. Kill Block, Possessão, Apex Attachments e os ajustes de progressão são boas adições, mas não conseguem compensar completamente a sensação de que estamos diante de uma experiência bastante familiar. A quantidade de mapas é satisfatória, mas existe espaço para uma oferta de conteúdo mais generosa durante as próximas temporadas.

A postura da Infinity Ward durante a Beta foi um sinal positivo e merece reconhecimento. O estúdio demonstrou que está disposto a ouvir os jogadores e realizar alterações, algo fundamental para uma franquia que depende de sua comunidade para manter uma base ativa durante todo o ano. Entretanto, essa disposição precisa continuar depois do lançamento, principalmente quando os problemas envolvem sistemas fundamentais da experiência.


No fim, Modern Warfare 4 não é um dos melhores nem um dos piores multiplayers de Call of Duty. É um jogo com boas ideias, uma base sólida e potencial para evoluir, mas que ainda precisa corrigir problemas importantes para conquistar a confiança dos jogadores. Se a Infinity Ward mantiver o ritmo de atualizações e realmente atender às principais reclamações da comunidade, o título poderá encontrar seu espaço ao longo das temporadas.


Por enquanto, fica a sensação de uma oportunidade parcialmente aproveitada: um multiplayer que poderia ter ido além, mas preferiu caminhar por terreno conhecido. A franquia merece mais do que apenas repetir fórmulas, e a Infinity Ward ainda tem tempo para mostrar que aprendeu com os erros do passado.

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