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Crítica | Beta Call of Duty: Modern Warfare 4 - Entre problemas e possibilidades, um potencial ainda a ser lapidado

  • Foto do escritor: Lucas Venancio
    Lucas Venancio
  • há 1 hora
  • 9 min de leitura

Recebemos o código de acesso antecipado ao Beta de Call of Duty: Modern Warfare 4 via Theogames e Activision/Call of Duty Brasil para realizar nossa crítica e futuras matérias no site, aos quais agradecemos por todo o suporte. Jogamos o game no PlayStation 5, em 4K, com texturas aprimoradas ativas, utilizando o modo desempenho de 120 fps no Multiplayer e o modo resolução a 60 fps na Campanha.


Após quatro anos desde o último lançamento da série, Call of Duty: Modern Warfare 2 (2022), a Infinity Ward teve seu maior tempo de desenvolvimento desde o início da franquia, em 2003, para arquitetar Modern Warfare 4. Isso aconteceu porque o terceiro título, lançado em 2023, ficou sob responsabilidade da Sledgehammer Games devido a problemas de bastidores, dando continuidade à história da Task Force 141.


No entanto, Modern Warfare 3 acabou se destacando mais em relação ao antecessor pelo ótimo suporte pós-lançamento e por apresentar uma jogabilidade superior aos olhos da comunidade.


Porém, se já não bastasse termos duas sagas consecutivas, algo inédito em Call of Duty, a Activision aprovou que a Treyarch desenvolvesse dois Black Ops consecutivos, o que acabou gerando desgaste da marca, acompanhado de polêmicas envolvendo decisões tomadas nos jogos durante esse período.


Reprodução: Be Geeks
Reprodução: Be Geeks

Mesmo com o frustrante declínio de Modern Warfare 2, já que seu antecessor, que também introduziu Warzone ao mundo, havia sido um sucesso absoluto, a comunidade colocou suas fichas no retorno da Infinity Ward para devolver as esperanças à franquia.

Antes do início da janela de marketing, o estúdio havia declarado que traria novamente diversão e estaria atento aos feedbacks relatados pelos jogadores, ganhando assim mais positividade entre os fãs. Algo incomum, já que a desenvolvedora, entre as principais da franquia, era uma das mais controversas no quesito suporte a mudanças e, na maioria das vezes, ignorava o público para manter sua visão criativa.


Ainda foi anunciado que o Beta, primeiro grande teste ao público, possuiria, pela primeira vez na história, além do tradicional Multiplayer, um vislumbre da Campanha e de Warzone.


Mas, com a queda na popularidade de Call of Duty, diversas contestações, ainda acompanhar seu estúdio coirmão tomar conta e aprimorar o modo online de sua principal saga, fica a pergunta: será que a Infinity Ward vai colocar Modern Warfare 4 na prateleira de cima?


Primeira semana de Beta


A primeira semana do Beta foi fechada para pessoas que adquiriram a pré-venda do game e para os detentores de códigos resgatáveis. No Multiplayer, a progressão ficou restrita ao nível 20. Apenas quatro mapas de 6v6 foram incluídos, além de um curso de mobilidade para aprender as novas mecânicas de movimentação, com um desafio cronometrado de trajeto.


Mas a principal novidade foi o mapa Kill Block, que alterna sua aparência aleatoriamente em três divisórias, com 500 combinações distintas. O mapa foi introduzido nos modos Atirador 10v10 e 3v3, sendo adicionado posteriormente ao tradicional 6v6 na versão completa do jogo.



Entretanto, desde o primeiro dia, a comunidade já emitiu uma onda de opiniões divisórias sobre o estágio atual de Modern Warfare 4, solicitando mudanças ao estúdio, que rapidamente atendeu aos pedidos, atualizando o game e prometendo ajustes para o segundo fim de semana aberto ao público.


Porém, se o terceiro título da franquia foi inicialmente chamado de expansão com melhorias, o quarto projeto se assemelha aos dois anteriores em termos visuais, mas tenta se equiparar a essa nova era "crítica" que Call of Duty se tornou desde Modern Warfare 3 e passando pelos Black Ops.


Um gunplay sem a identidade da Infinity Ward


A dopamina intensa acaba se transformando no principal pilar da construção do gunplay, deixando para trás a criticada lentidão de Modern Warfare 2 e, ao mesmo tempo, abandonando parte da identidade que a Infinity Ward sempre aplica em suas obras.

O resultado acaba ficando na subjetividade de cada jogador, mas, definitivamente, o jogo perdeu sua cara.


Nesta nova jornada, a Omnimovimentação foi abandonada. Por outro lado, a corrida tática retorna e os deslizamentos permanecem fortes.


Porém, outras mecânicas conhecidas retornaram de maneira consistente, como é o caso do Jump Shot, que permite pular enquanto atira, e do Drop Shot, que permite deitar enquanto atira. Ambos haviam sido muito prejudicados nos antecessores.



Dessa forma, Modern Warfare 4 oferece mais opções para o combate, aliadas à velocidade intensa que deixa muitas partidas caóticas. Isso favorece quem é fã desse estilo de movimentação e, principalmente, os tryhards, jogadores mais experientes e acostumados ao ritmo acelerado da franquia.


Respawns, TTK e som dos passos


Nesse quesito, temos alguns dos "pecados" apresentados no Multiplayer de MW4, como os respawns, que foram inseridos de maneira confusa, gerando aleatoriedade ao renascer em diversas situações ao longo das partidas.


Isso nos coloca quase a todo momento em apreensão, sem saber se estamos em vantagem, desvantagem ou em uma situação de normalidade, sem espaço para respirar diante dos nossos oponentes.


O TTK (Tempo para Matar) está altíssimo, sendo necessário apenas dois tiros na cabeça para eliminar um adversário. Nesse ponto, a discussão novamente acaba entrando na subjetividade dentro da franquia.


A mixagem sonora também merece atenção. O som dos passos está muito audível e acaba sepultando outra representação conhecida dentro da comunidade: a chamada camperagem, quando jogadores permanecem parados aguardando seus adversários.


Melhor dizendo, existe um equilíbrio desbalanceado dentro da mesma circunstância, agradando dois públicos diferentes por meio de mecânicas consideradas "quebradas". No final, isso acaba desagradando mais do que agradando e pode afastar jogadores casuais. Embora, claro, sempre existam exceções.


Vantagens, armas e sistema de progressão


Um dos grandes pontos positivos da gameplay está na distribuição das três classes de vantagens disponíveis, obrigando os jogadores a tomarem decisões corretas para cada ocasião.


É o caso do primeiro slot, que contém Regeneração Rápida, responsável por recuperar a vida após uma baixa; Fantasma, que mantém o jogador escondido no minimapa quando um VANT está ativo; e Ninja, que diminui o áudio dos passos.


Os coringas não retornam. Portanto, apenas uma vantagem por categoria pode ser escolhida.


Também só é possível equipar cinco acessórios nas armas e, ao completar o nível máximo de cada armamento, será desbloqueado um item adicional chamado Apex, que funciona basicamente como o acessório de prestígio das armas presentes em Black Ops 7.



Em contrapartida, o armeiro de Modern Warfare 4 se assemelha muito ao sistema feito em Modern Warfare 2, que gerou descontentamento na comunidade. Isso acontece porque seu sistema disponibiliza altos níveis de progresso para cada arma, mesmo que a maioria seja compartilhada.


Como complemento a esse "nariz torto" em questão, cada acessório presente no Beta estava penalizando demais o jogador quando utilizado, deixando dúvidas sobre qual deles realmente deveria ser acoplado.


Em comparação, Modern Warfare 2 havia armas que os jogadores deixavam sem acessórios justamente devido às altas penalizações, já que muitos deles não apresentavam um custo-benefício real.


Além disso, temos uma novidade no armeiro: a introdução de uma inteligência artificial chamada "Gunny", desenvolvida para sugerir diferentes configurações de armas de acordo com três estilos de combate: curto alcance, equilibrado e longo alcance. A cada seleção, o sistema apresenta diferentes opções de montagem, utilizando automaticamente os acessórios que o jogador já desbloqueou para cada armamento. A proposta facilita a criação de classes e oferece alternativas rápidas para quem ainda não domina todas as possibilidades de personalização das armas.


O retorno dos Points Streaks


Enquanto isso, outro ponto positivo foi o renascimento dos Points Streaks, introduzidos pela primeira vez no Modern Warfare 3 original de 2011 e vistos pela última vez em Call of Duty: Ghosts, de 2013.


Diferentemente dos Killstreaks e Scorestreaks, as recompensas são adquiridas por pontos.


Reprodução: Be Geeks
Reprodução: Be Geeks

O sistema representa uma evolução em relação aos últimos modelos produzidos pela Infinity Ward e recompensa o jogador que trabalha em equipe, tornando-se uma das decisões mais assertivas presentes até o momento.


Os mapas funcionam e isso é importante


Outra circunstância positiva até o momento está no coração de todo Call of Duty: os mapas, que funcionam, são bonitos e, mesmo ainda apresentando resquícios da visão criativa "realista" da Infinity Ward, demonstram uma mudança importante na direção adotada pelo estúdio.


A desenvolvedora sempre foi muito criticada pela concepção de seus mapas por criar ambientes grandes, abertos, com muitos caminhos, atalhos e diversos andares.


Parece que a simplicidade presente na construção do game, ao lado da "nova" personalidade do estúdio, foi uma escolha desafiadora, supostamente pensada para manter os pés no chão e atender ao maior público possível.


Porque pode não parecer, mas dentro da franquia existem diversos nichos e fandoms, demonstrando a força cultural de Call of Duty e sua importância na indústria dos games. E claro jogadores casuais juntamente aos novatos.


Ou seja, as decisões dentro da Activision para agradar aos fãs são mais complexas do que pensamos.


SBMM continua sendo uma ferida aberta


Todavia, há momentos em que a comunidade fica enfurecida com a publisher, como é o caso do SBMM (partidas baseadas em habilidade), que foi implementado pela própria Infinity Ward com fortes nuances no sistema em 2019.


A cada ciclo que passa, as explicações e reclamações continuam sem um final feliz.


Com a chegada de Modern Warfare 4, não seria novidade que o assunto voltasse aos holofotes, já que a maior reclamação atualmente continua sendo essa pauta.


Mesmo com explicações e sem perceber resultados que atendam às expectativas, a comunidade mantém sua revolta.


Ainda assim, notamos, na prática, que o SBMM, de alguma forma, continua afetando a experiência e as sensações durante as partidas.


Pequenas mudanças que fazem diferença


Pequenas mudanças também foram muito bem-vindas ao game, como as novas animações nas movimentações de parkour, que foram implementadas em Modern Warfare 2.


A jogada da partida recebeu uma nova roupagem, criando uma espécie de mini edição que captura as baixas em câmera lenta e acelera os trajetos entre elas. Dessa maneira, é possível visualizar uma jogada mais longa durante esse curto período.

Novos equipamentos também foram apresentados, como uma pistola fabricada em impressora 3D, que ocupa o lugar da granada tática.



A granada de fumaça também recebeu uma nova possibilidade de utilização: ao realizar disparos através dela, o jogador poderá criar aberturas e oportunidades de combate, em uma mecânica que lembra o que vemos em Counter-Strike.


Um novo menu, mas sem uma revolução


Ainda tivemos a introdução de um lindo novo layout de menu, em um estilo verticalizado e "escondido" na parte esquerda da tela, semelhante ao que encontramos atualmente nos serviços de streaming.


A mudança atribui uma sensação de modernização ao game, mas acaba ficando somente nisso diante de tudo o que foi idealizado presente no título.


A Infinity Ward já havia tentado introduzir um sistema semelhante ao de plataformas de conteúdo, com ícones feitos com blocos, mas acabou sendo rejeitado pela comunidade.



E, claro, também foi a responsável por introduzir o Call of Duty HQ.


Gráficos: evolução que poderia ser maior


Apesar disso, como esta é a primeira obra da franquia lançada exclusivamente para PlayStation 5, Xbox Series, PC e Switch 2, esperava-se que os visuais fossem ainda mais aprimorados.


Porém, ainda não conseguiram trazer a mesma sensação "realista" dos gráficos de Modern Warfare, de 2019, lançado para a geração passada e que finalmente havia levado a franquia de volta ao mainstream.


Todavia, sua apresentação está longe de ser ruim. Na verdade, ela é excelente e principalmente nos pequenos detalhes que ampliam toda atmosfera do game. Como adições de visuais de sujeiras, como sangue e lama esborrifando nas armas e nos operadores.


Acabamos entendendo que a adição de novos detalhes, sombras, iluminação, texturas e som, enquanto ainda é necessário manter a fluidez única que esse FPS consegue proporcionar, exige concessões em termos de polimento.


Também existe a integração com Warzone, o que acaba colocando uma pequena discrepância de sensibilidade em relação à direção de arte presente naquela época.


Campanha


De forma sucinta, jogamos a missão da Campanha presente no Beta e não iremos estragar o que acontece nela para aqueles que ainda irão testá-la ou para quem prefere aguardar o lançamento antecipado em 16 de outubro.


A missão se passa na Coreia do Norte, onde vemos um esquadrão da Coreia do Sul avançando sobre instalações de uma usina nuclear.


Há momentos já esperados de um Modern Warfare cheio de ação, com estilo cinematográfico, tensão e diferentes estilos de gameplay durante uma única missão.


Dessa maneira, o título diversifica suas mecânicas e aumenta a pluralidade dentro da narrativa, algo que foi imposto desde o primeiro título responsável por recriar a saga.



Entre problemas e possibilidades - Um potencial ainda a ser lapidado


O Multiplayer de Modern Warfare 4 começa complicado, mas seu tormento pode ser evitado enquanto ainda há tempo.


O quarto episódio da saga tem potencial para se transformar em um bom jogo, assim como aconteceu nos títulos - Call of Duty: WWII (2017), Modern Warfare 3 e Black Ops 7, caso a Infinity Ward consiga transformar os feedbacks da comunidade em mudanças práticas.


Contudo, sabemos que não é fácil agradar aos fãs, aos jogadores casuais e, ao mesmo tempo, chamar novos jogadores.


Se realmente houver um grande suporte, muitos conteúdos pós-lançamento, uma boa integração com Warzone e o DMZ for uma evolução em relação ao primeiro, os olhares tendem a se voltar novamente ao game e, organicamente, à franquia.


A segunda semana do Beta, agora aberta ao público, estará disponível desta sexta-feira, 28 de agosto, até terça-feira, 1º de setembro. Será uma nova oportunidade para os jogadores testarem Modern Warfare 4, tirarem suas próprias conclusões e, para nós, verificarmos como o jogo evoluiu após os primeiros feedbacks, novidades e atualizações implementadas pela Infinity Ward.


Call of Duty: Modern Warfare 4 será lançado em 23 de outubro de 2026.


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