• Paulo Lídio

A Morte do Superman (2018) | Crítica – Em nova releitura do quadrinho clássico, DC mostra porque é l


Adaptação em forma de animação do quadrinho de 1992, escrito por Dan Jurgens, A Morte do Superman chega como uma das maiores formas de homenagear o Homem de Aço. No ano em que completo 80 anos desde sua primeira aparição nas HQs, a Warner Bros Animations e a DC resolveram lançar mais uma versão desta icônica versão do herói. A primeira adaptação veio em 2007, com a animação “Superman: Doomsday”, que apesar de beber bastante da fonte de A Morte do Superman, pega muitas referências de outras grandes sagas como Fortaleza da Solidão, além da série clássica do herói nos anos 90. Fora das animações, tivemos um gostinho desse evento ao fim de Batman vs Superman, além da conclusão no filme Liga da Justiça.

Mas por quê que essa nova animação da DC com a Warner Bros Animations é diferente de sua antecessora? Para isso, é necessário dissecar as inspirações utilizadas para este longa animado. A história acaba por ser muito mais fiel ao material dos quadrinhos do que a anterior de 2007, o que é importante visto a riqueza de materiais utilizadas por Dan Jurgens em sua criação. Os traços utilizados são os dos Novos 52, um dos arcos da DC Comics que apesar de polêmico entre os fãs dos quadrinhos, mostrou-se um sucesso absoluto em relação as animações. Como já é de se esperar, o longa foca muito no relacionamento entre Clark Ken e Lois Lane, com está não sabendo que está namorando o Superman. O dilema é clichê se comparado com outras histórias que já vimos na telona, porém é interessante ver o herói mais poderoso da Terra pedindo conselhos aos demais membros da Liga da Justiça sobre como ter um relacionamento e revelar sua identidade secreta.

Já que citei a Liga da Justiça, nada mais justo dizer que souberam dosar bem a aparição dos demais heróis. Por se tratar de uma animação com foco principal no Superman, é natural que nem todos ganhem tempo de tela suficiente, porém mesmo assim as participações são importantes. Desde o alívio cômico com a dupla Ciborgue/Flash, até aos momentos de mais seriedade, com Batman e Mulher Maravilha. O fato da necessidade de mostrar a Liga não conseguindo combater o Apocalypse sem o Superman evidencia ainda mais o mal que o alienígena traz consigo, além de mostrar o quão forte o kryptoniano é. Algo que demorou a ser explorado pela DC e Warner Bros nos cinemas, a personalidade do Homem de Aço segue no teor exato nesta animação. Um herói bem-humorado, que transparece um ar de esperança e segurança aos cidadãos de Metropolis. Sobretudo é possível ressaltar que o Superman, mesmo sendo um kryptoniano, é um humano como nós, com suas fraquezas e inseguranças, mas sobretudo com um grande coração e disposto a fazer tudo por quem ama, além de proteger até seu último sopro de vida a cidade que lhe acolheu.

Na questão de vilões, a animação também é bem servida. Lex Luthor, fundamental na história dos quadrinhos, não conseguiu mostrar todo seu potencial, mas promete ainda trazer muitos problemas. A situação da morte do Superman é algo tão denso e profundo, que acaba mexendo com a cabeça do magnata, o que pode gerar uma maior relação dos espectadores com o vilão. Já quanto ao vilão Apocalypse, podemos definir sua presença com uma palavra: fan service. É incrível ver os cuidados tomados com a adaptação física do personagem, desde seus poderes páreos com o Homem de Aço, até sua aparência assustadora. É praticamente impossível você não odiar o monstro desde sua chegada a Terra, onde sozinho destrói a Liga da Justiça e ainda leva o Superman a um combate que resulta na morte de ambos.

É necessário também valorizar a personagem de Lois Lane na trama. Deixada de lado em muitas histórias como apenas o par romântico do Superman, a jornalista ganha espaço e também mostra que não é fácil ser a namorada de um super-herói, mostrando que isso afeta diariamente a sua vida pessoal e profissional. Há de se ressaltar também que caso a continuação do filme mantenha-se fiel ao material dos quadrinhos, Lois Lane deve ganhar ainda mais espaço de tela na sequência que será chamada “Reign of Supermen”.

Claro que por ser um filme basicamente dividido em duas partes, a avaliação da obra pode variar no gosto das pessoas. Alguns só vão se sentir satisfeitos acompanhando a sequência, com lançamento previsto para 2019 (sem data definida), enquanto outros se dão satisfeitos por ver uma primeira parte tão bem-feita, que consegue deixar aquele gostinho de quero mais.

Nota: 4/5

Ficha Técnica:

A Morte do Superman (The Death of Superman) – EUA (2018) Direção: Jake Castorena, Sam Liu. Roteiro: Peter J. Tomasi. Elenco: Jerry O’Connell, Rebecca Romijn, Rainn Wilson, Rosario Dawson, Nathan Fillion, Christopher Gorham, Matt Lanter, Shemar Moore, Jason O’Mara, Rocky Carroll, Patrick Fabian, Charles Halford, Jennifer Hale, Max Mittelman, Nyambi Nyambi. Duração: 81 minutos.

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