• Alexandre Agassi

Maratona Superman | Evento - Um bate-papo com especialistas sobre o herói


Maratona Superman | Um bate-papo com especialistas sobre o herói

“Olha, se você gosta de desgraça, você assiste ao Jornal Nacional. A gente assiste a esses filmes de fantasia pra se inspirar, pra ver alguma coisa boa, algo que traga a alegria pro seu dia, pra sua vida”, afirma Fábio Marques, fã de carteirinha do Superman.

Fábio Marques, fã de carteirinha do Superman

Fábio possui um site para apenas falar do kryptoniano (super-homem.com), que costuma chamá-lo pelo nome batizado pela dublagem brasileira, o Super-Homem. Ele conhece o herói desde os quatro anos, quando viu o filme do Christopher Reeve no cinema duas vezes seguidas, e seu pai teve que lhe explicar que ele não voaria se pulasse da janela.

Convidado especial para um bate-papo na Maratona Superman, realizado no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo-SP, no dia 15 de dezembro, Fábio é especialista no que diz respeito ao personagem quando nos revela um pouco de seu extenso repertório. Junto com ele, estava Fernando Augusto Dias Afonso, mais conhecido como Capitão Fernando, do fã clube brasileiro Nova Frota, e o cosplayer do Superman, Thiago A. Maldonado, do portal Diário do Capitão.

Ao longo do evento, foram exibidas obras raríssimas, tais como o primeiro desenho animado do Super, da década de 1940, feito pelos estúdios dos irmãos Max e Dave Fleischer, o mesmo que fez Popeye e Betty Boop. Também foi passado o clássico seriado dos anos 50, estrelado por George Reeves, e a série animada, da década de 1960.

A Maratona ainda contou com a versão original do diretor Richard Donner de Superman II (1980). Por último, valeu a pena relembrar do sucesso estrondoso que a série Lois & Clark fez nos anos 90. Durante a conversa, também foi falado de outras séries que não foram mostradas, como os Superamigos, da Hannah Barbera, nos anos 70, o desenho animado de Bruce Timm nos anos 90, este que depois nos levou a renomada série da Liga da Justiça e o universo da DC nas séries, o Arrowverse, e no cinema, com o Worlds of DC.

Melhores momentos

O Superman contou com diversos momentos marcantes dentro e fora dos quadrinhos. Alguns inclusive que ficaram na memória afetiva das pessoas.

Abertura da animação dos anos 40 produzida pelos irmãos Fleischer

Para Fábio Marques, a série dos irmãos Fleischer e o programa de rádio estrelado por Bud Collyer foram os mais fiéis à essência do herói de todos que já foram adaptados. “São 17 episódios e, pra mim, aquilo é perfeito”, conta.

Já seus gibis preferidos seriam o Reino do Amanhã, de Mark Waid e Alex Ross, Grandes Astros: Superman, escrita por Grant Morrison, O Que Aconteceu com O Homem de Aço? e Para o Homem que Tinha Tudo, essas duas últimas roteirizadas por Alan Moore.

Enquanto isso, Capitão Fernando destaca os gibis da Morte e do Retorno de Superman, publicados nos anos 90. Com relação às séries de TV, o membro do Nova Frota é polêmico ao citar Smallville: “Apesar das críticas do seriado, quando você se mantém fiel ao que é o personagem, a história tá boa. Isso que é importante: se manter àquilo que ele representa”.

Lois Lane

Na Action Comics nº1, mais conhecida por ser a primeira história do Superman nos quadrinhos, temos o começo de tudo. A origem do herói de outro planeta quando chega à Terra. Mais veloz que uma locomotiva, com uma força descomunal e capaz de saltar alturas maiores que um arranha-céu, ali surge o Superman.

Superman e Lois se conhecem pela primeira vez na Action Comics nº 1, por Jerry Siegel e Joe Schuster

Um dia o jornalista do Estrela Diária, Clark Kent, chama sua colega Lois Lane para um jantar e ela aceita. Durante uma dança, Lois e Clark são surpreendidos por um homem que obriga ela a dançar com ele. O jornalista, covarde e medroso, não faz nada, deixando o fortão mexer com ela. Contudo, ela, inconformada com a covardia de Clark, prefere ir embora. O homem pega seu carro e a persegue, mas Clark, agora como o Superman, captura o carro, tirando todos de dentro, e por último destruindo-o. O herói entrega o homem para a polícia, e pela primeira vez salvou a vida de Lois Lane.

Roosevelt Garcia, do Nova Frota

É interessante notar aqui que, na primeira aparição do Superman, não existia Planeta Diário, este que tinha outro nome, nem Jimmy Olsen, nem Perry White, nem Krypton, citado, embora ainda sem nome, nem Martha e Jonathan Kent. Mas já existia a Lois.

Roosevelt Garcia, do Nova Frota, explica que a importância da Lois é imensa, dizendo que ela “faz dele mais humano do que ele na verdade é”. Ele cita o filme do Christopher Reeves, quando o Superman volta no tempo para salvar a vida de quem ele ama: “Isso foi fechar com uma chave tudo aquilo que a gente já tinha lido nos quadrinhos na época”.

Ele ainda rebate críticas que acusam Lois de estar sempre se metendo em confusão apenas para o Superman resgatar ela: “Não é estorvo nenhum a Lois estar ali, eu acho que é uma necessidade pra mostrar que ele também é humano”.

Repaginação

Evolução do Superman ao longo desses 80 anos

De 1938 pra cá, mudanças drásticas vieram acontecendo. Superman ganhou novas camadas. Ganhou músculos mais definidos, cores mais vívidas em seu traje, agora ele voa, tem a famosa visão de calor e a de Raios-X, a super audição, a super-respiração, dentre muitos outros. E não foi só nos poderes, mas o herói também passou por uma evolução moral.

“Nos anos 30 e 40, ele lutava contra o nazismo. Nos anos 50, tinha acabado de acontecer o episódio de Roswell, então os alienígenas estavam na cabeça de todo mundo”, esclarece Roosevelt. “O nosso Superman enfrenta situações em que as pessoas de hoje em dia enfrentam, e não a dos anos 40 e 50”.

“E não só ele, como a Lois, o Jimmy, o Perry, todo mundo foi sendo adaptado pra realidade do seu tempo”, avalia Fernando. Ele ressalta, no entanto, que o importante foi que “a essência do personagem sempre se mantinha nos quadrinhos”.

O Superman de Henry Cavill

Interpretado por Henry Cavill, o Superman do universo DC divide os fãs até hoje

Batman v Superman: A Origem da Justiça (2016) foi um dos mais polêmicos filmes da década, dividindo leitores de quadrinhos e críticos de cinema. É inegável apontar que o filme foi um sucesso de bilheteria, entretanto está muito claro ao abrir os fóruns de discussão da internet que a realidade é outra.

Capitão Fernando, o cosplay do Superboy

Amado por uns e odiado por outros, o longa construiu os alicerces do universo cinematográfico da DC ao passo que também destruiu. Ou melhor: foi destruído pela Warner, que fez questão de apagar da memória. Mais colorido, mais saturado e, sobretudo, mais jocoso, a DC optou por um novo clima para realizar seus novos filmes.

Fernando é um dos que não gosta desse novo Superman, explicando que Zack Snyder, o diretor dos dois primeiros filmes desse universo, se utilizou da fonte errada para fazer O Homem de Aço (2013). Uma vez que ele se inspirou na trilogia do Batman dos cinemas, dirigida por Christopher Nolan, e não nesses 80 anos de quadrinhos do personagem.

“A verdade é que o Super-Homem gosta de salvar as pessoas, ele fica feliz ao ver que as pessoas estão seguras. E você vê aquele Super-Homem sempre depressivo, bravo, com cara de quem tá com cólica toda hora, esse não é o Super-Homem”, comenta o capitão do Nova Frota.

Sobre o filme da Liga da Justiça (2017), Fernando fala que finalmente conseguiram fazer o Superman, embora ali já fosse tarde demais. Ainda critica a falta de desenvolvimento dos personagens, que diferente da Disney com a Marvel, a Warner não teve paciência para construir o universo e chegar à Liga da Justiça. A única que ele salva é a Mulher Maravilha, afirmando que seu filme solo é “genial”.

O Superman ficou chato?

Superman em Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller

Frequentemente críticas rodeiam o herói, acusando ele de chato por razões de ele ter poderes quase ilimitados. Logo, não teria sentido algum acompanhar as aventuras de um herói, pois ele sempre vence com certa vantagem, além de ele não ter complexidade alguma – “unidimensional”, como diz o dicionário.

De acordo com Roosevelt, esse problema não existe. Ele pontua que o que está acontecendo no mundo atual é o fato da Marvel Comics estar vencendo a concorrência com a DC nos cinemas. Isso faz com que personagens como o Homem-Aranha, o Homem de Ferro, o Hulk e o Capitão América sejam mais populares que o Superman, o Batman, a Mulher Maravilha e o Flash.

Por outro lado, Fernando acha que há uma "propaganda" que diminui o herói por ele vestir uma cueca vermelha por cima da calça, ser super forte e ninguém ser capaz de vencer ele. Porém, ele diz que existem vários personagens que encaram o Superman, e inclusive tem histórias que são muito profundas.

Ele exemplifica com um desenho em que o Superman luta contra o Darkseid, onde o herói fala que vive num “mundo de papelão” e nesta briga ele utiliza toda a extensão de seu poder. “Pra mostrar que ele nunca pode se soltar na Terra, porque se não, as pessoas morrem”, explica Fernando.

“Então o Super-Homem não pode ser o Batman, porque se ele usar a escuridão pra essa coisa, ele vai matar pessoas. Ele não pode porque ele é poderoso demais”, conclui.

Fábio Marques acredita que o herói ainda é um personagem relevante: “Esse símbolo de que é possível superar qualquer coisa, só o Super-Homem tem. O Batman não consegue fazer isso. O Homem-Aranha chega bem perto, mas ainda não é o Super-Homem. A gente sabe que o Super-Homem de peito aberto, o sorriso no rosto, vai te ajudar a passar por isso”.

Ele ainda cita um episódio da série de George Reeves nos anos 50, em que uma menina cega não acredita no Superman. Ao final, ela passa a acreditar no herói e ele mostra o mundo pra ela.

Quem é o Superman?

Christopher Reeve sorri em direção à câmera na cena final de Superman: O Filme (1978)

“Pra mim, falar em super-herói, a primeira coisa que eu me lembro é o Christopher Reeves passando e sorrindo pra câmera”, conta Fernando.

Criado por dois amigos, Jerry Siegel e Joe Schuster, o Superman foi feito aos moldes do arquétipo grego clássico do herói. Benevolente, justo, leal, ele foi feito para as pessoas se inspirarem, se espelharem e querer ser como ele. Porém, ele é também tão humano quanto qualquer outra pessoa. Ele fica feliz, triste, ele ama, mas também sente raiva, ele se apaixona, ele se decepciona.

Fábio define o Superman em uma única palavra: “Perseverança”. E explica: “Pra mim, dificuldade e problema todo mundo vai ter, e o Super-Homem, diferente de todos os outros personagens, vai ficar até o fim com você, segurar na sua mão, vai seguir e vai enfrentar”.

Confira abaixo algumas imagens do evento:

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