• Paulo Lídio

Batwoman – 1ª Temporada | Crítica: O legado do morcego é mantido em Gotham


Batwoman – 1ª Temporada | Crítica: Com início promissor, o legado do morcego é mantido em Gotham (Imagem: The CW / Divulgação)

É praticamente impossível pensar em Gotham City sem conectar a cidade automaticamente ao Batman. Indo mais além, é complicado imaginar um universo de heróis da DC Comics onde sequer vimos o homem-morcego. Imagine a surpresa do público que acompanha o “Arrowverse” ao receber a confirmação de uma série da Batwoman, mas sem a presença de Bruce Wayne. Apesar de não soar muito convidativo a princípio, a série trouxe o fôlego necessário para tirar a CW da mesmice e mostrar que a mitologia do Batman é gigantesca, a ponto de sustentar todo um seriado sem o seu maior símbolo, simplesmente honrando seu legado.

Realizando sua primeira aparição no mega crossover “Elseworlds”, a Batwoman (Ruby Rose) causou o impacto necessário para garantir seu seriado solo. Em um mundo de heróis onde basicamente a CW se preocupou em transformar o Arqueiro Verde (Stephen Amell) no “Batman Genérico”, foi interessante e arriscado trazer um membro da "Batfamília" para introduzir o universo do morcego. Dona de uma presença de tela imponente, Kate Kane teve sua origem mudada em relação aos quadrinhos, porém, nada que afete o desenrolar da história. Aliás, isso facilita o andamento do roteiro, uma vez que a personagem é prima de Bruce Wayne, que está desaparecido, conectando constantemente a heroína ao homem-morcego, porém, sem necessariamente necessitar dele para construir sua própria história.

Prima de Bruce Wayne, a rebelde Kate Kane precisa encarar o fato de dar continuidade ao legado do Batman em Gotham City (Foto: The CW / Reprodução)

Prima de Bruce Wayne, a rebelde Kate Kane precisa encarar o fato de dar continuidade ao legado do Batman em Gotham City (Foto: The CW / Reprodução)

Outro fator importante que deve ser elogiado por parte da CW foi a escolha da atriz para interpretar a personagem principal. Nos quadrinhos, Kate Kane é homossexual e constantemente temos abordagens sobre os preconceitos sofridos pela heroína e como ela lida com a sociedade no dia a dia. Na vida real, a atriz Ruby Rose, que fez sucesso por sua atuação em ‘Orange is The New Black’, também é homossexual, trazendo ainda mais representatividade a esta personagem tão importante no universo do Batman. Inclusive, a inclusão de uma personagem LGBTQ+ como a Batwoman representa uma grande mudança no perfil da CW. O seu desenvolvimento é natural, sem melindres de lacração do canal, uma vez que a temática é muito importante e não está lá apenas para conquistar audiência. Aliás, que os produtores executivos da emissora olhem com mais carinho para os roteiristas da série, uma vez que é nítido que o canal possui dificuldades em adaptar outros personagens LGBTQ+ em outros seriados do canal, como Alex Danvers (Chyler Leigh), em 'Supergirl', por exemplo.

Méritos para o casting de Batwoman por montar um elenco de apoio tão bom quanto a heroína principal. Mesmo sem trazer nomes icônicos da mitologia do Batman nos quadrinhos, temos figuras canônicas que são importantes na série, trazendo qualidade e fan service. Por exemplo, quem guia nossa heroína através das missões é Luke Fox (Camrus Johnson), filho do brilhante cientista Lucius Fox; enquanto uma das melhores amigas de infância e ex namorada de Kate Kane é a britânica Julia Pennyworth (Christina Ulfsparre), sobrinha do nosso eterno mordomo Alfred. Apesar de outros membros importantes do elenco merecerem uma citação, é totalmente cabível que você descubra por si só assistindo ao seriado. Entretanto, não é cabível escrever uma crítica sem falar da brilhante Alice (Rachel Skarsten), principal vilã da primeira temporada. Com uma postura sádica, uma história de fundo fortíssima com a heroína da série e cenas de tirar o fôlego, ela se torna a típica vilã que faz com que os fãs acabem criando um certo “carinho”.

A relação entre a Batwoman (Ruby Rose) e Alice (Rachel Skarsten) é o ponto chave da primeira temporada (Foto: The CW / Reprodução)

A relação entre a Batwoman (Ruby Rose) e Alice (Rachel Skarsten) é o ponto chave da primeira temporada (Foto: The CW / Reprodução)

Uma coisa que era alvo de constante reclamação dos fãs das séries da CW eram as coreografias de luta. Ao mesmo tempo que acompanhamos performances memoráveis em ‘Arrow’, haviam outros totalmente esquecíveis em ‘The Flash’ e ‘Supergirl’. Pois bem, este erro foi corrigido em Batwoman, visto que mesmo usando e abusando do CGI quando necessário, a principal característica dos combatentes morcegos de Gotham foram mantidas: o combate corpo a corpo. O trabalho dos dublês além de convencer muito bem o público, nos traz uma imersão muito boa quando o trabalho é aliado aos equipamentos, algo característico do universo Batman, não se limitando apenas ao uso dos batarangues. Inclusive, não se surpreenda se no futuro não tivermos um parceiro para Kate Kane na série, pois caso o roteiro opte por se manter fiel aos quadrinhos, Luke Fox deve em breve se tornar o Batwing, mesmo que até o momento não tenha ocorrido nenhuma menção ao fato.

Como nem tudo são elogios, os poucos erros do seriado merecem ser citados. Quando se fala de Gotham City, é inegável não vincular a cidade ao Batman e sua galeria de vilões, como citado no início desta crítica. Isto posto, certos elementos não têm como serem desconectados totalmente de um universo tão vasto de personagens. Citando em forma de exemplo, a presença do Departamento de Polícia de Gotham City é praticamente nula, sem sequer ouvirmos uma citação a Jim Gordon ou Barbara Gordon. Temos na série a presença do Asilo Arkham, que é o responsável por tratar as mentes mais doentias da cidade, mas que raramente cita um nome de peso entre os vilões, a não ser aqueles que tem presença ativa na série ou os que fazem parte da mitologia da própria Batwoman. É compreensível que os produtores tentem afastar ao máximo a imagem do Batman para que a Batwoman consiga o maior espaço possível para concluir sua jornada, todavia, é difícil ignorar certos fatores que poderiam ser resolvidos com uma simples menção para manter a trama coesa.

Com a saída da atriz Ruby Rose do papel principal, a CW terá trabalho para achar uma reposição a altura (Foto: The CW / Reprodução)

Com a saída da atriz Ruby Rose do papel principal, a CW terá trabalho para achar uma reposição a altura (Foto: The CW / Reprodução)

Batwoman chegou tímida em seu começo no “Arrowverse”, mas com a conclusão de sua primeira temporada, é inegável que já conseguiu garantir seu espaço e entregar uma trama mais coesa do que suas companheiras de canal, como ‘The Flash’ e ‘Supergirl’, com uma pegada mais parecida com 'Raio Negro', outra série de destaque do universo CW. Uma pena que, mesmo com a ansiedade por uma segunda temporada, que inclusive já está confirmada, a atriz Ruby Rose pediu demissão do papel e não retornará como Kate Kane/Batwoman. Como sempre, a atriz se vai, mas o legado da personagem fica. E, caso haja continuidade no plot twist da season finale, aguardemos por uma Gotham City com muito mais morcegos.

Nota: 4/5

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