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Crítica | Temporada 6 de Call of Duty: Black Ops 7/Warzone: A Assombração reúne novidades e conteúdos reciclados

Foto do escritor: Lucas Venancio
Lucas Venancio
há 2 horas
9 min de leitura
Recebemos o Passe de Batalha BlackCell via Activision/ Theogames para a produção desta crítica e de outros conteúdos da nossa cobertura da franquia. Completamos o passe e todos os eventos presentes, bem como nas demais temporadas que você pode conferir no portal.

A Temporada 6 de Call of Duty: Black Ops 7 chega com a responsabilidade de encerrar o ciclo do jogo e, como já virou tradição na franquia, faz isso apostando no Halloween. A Assombração retorna para transformar os últimos meses de conteúdo em uma celebração marcada por mapas modificados, modos especiais, novas armas, recompensas e uma atmosfera mais sombria.


Reprodução: Be Geeks
Reprodução: Be Geeks

Desde Modern Warfare, em 2019, a temporada de Halloween se tornou um dos momentos mais aguardados do calendário de Call of Duty. O evento deixou de ser apenas uma atualização temática para se transformar em uma tradição de encerramento de cada ciclo, além de uma oportunidade para atrair jogadores que estavam inativos.


Em Black Ops 7, a proposta segue esse caminho. A questão é saber se A Assombração consegue entregar algo realmente memorável ou apenas cumprir a tabela antes da próxima fase da franquia.


A Assombração transforma o Warzone para o Halloween


O principal destaque da Temporada 6 está no Warzone. O mapa de Ressurgência Haven’s Hollow ganha uma versão completamente tomada pelo clima de Halloween, transformando o cenário em um território muito mais sombrio e estranho.


A mudança visual não fica restrita à decoração. A presença de elementos sobrenaturais altera a identidade de determinadas áreas, criando uma experiência diferente daquela encontrada durante as temporadas convencionais. Além disso, há diversos easter eggs com recompensas que podem ser descobertas e desbloqueadas pelos jogadores.


Um dos destaques é a Mansão, que recebe um feixe de luz gravitacional totalmente inspirado no mapa Gravity, lançado na Temporada 6 de Black Ops 6. Outro elemento é o trem fantasma, que percorre o mapa e pode ser parado para desbloquear a Caixa do Mistério, conhecida do modo Zombies, permitindo coletar itens e até conseguir a clássica Arma de Raios (Ray Gun).



Após completar uma sequência de pistas e objetivos, os jogadores também podem fazer surgir uma ilha flutuante no meio do mapa. A novidade lembra a experiência que tivemos na Ilha do Renascimento com a Ilha do Purgatório, incluindo a presença do mapa Shipment, que podia ser controlado pelos jogadores. Em Haven’s Hollow, porém, a proposta é diferente: a ilha é fixa e só pode ser acessada por meio de superpulos, em locais indicados no mapa.


O Vazio Assombrado funciona justamente porque consegue fazer o jogador perceber que está dentro de um evento especial. O céu, os cenários e os elementos espalhados pelo mapa ajudam a criar uma atmosfera que combina com a proposta. É esse tipo de transformação que fez o evento se tornar tão importante para Call of Duty.



Infectado Gigante é uma das melhores ideias da temporada


Entre os modos temporários, Infectado Gigante, disponível no mapa Vazio Assombrado, se destaca por apostar em uma fórmula conhecida, mas adaptada para uma escala maior. Com até 64 jogadores, as partidas colocam sobreviventes e infectados em uma disputa que rapidamente pode sair do controle, já que os zumbis ganham habilidades ao coletar itens e ficam cada vez mais fortes. Conforme a infestação cresce, a dinâmica da partida muda e cria momentos de puro caos.


A grande vantagem do modo é não tentar transformar Call of Duty em outra coisa. Ele continua sendo reconhecível como Warzone, mas utiliza a temática de A Assombração para criar uma experiência mais descontraída e imprevisível. Não é necessariamente o modo que substituirá o Battle Royale tradicional, mas é exatamente o tipo de conteúdo temporário que faz sentido dentro de um evento como esse.


Porém, ainda sentimos falta da presença de Zumbi Royale, que chegou no final do ciclo de Black Ops 6, durante as comemorações pelo retorno de Verdansk, mas acabou não voltando nesta integração com Black Ops 7. O modo poderia ter sido ambientado em Avalon, principalmente porque o mapa recebeu uma versão noturna no modo Fim da Jornada.


O Multiplayer mantém a estrutura, mas poupa recursos


Enquanto Warzone recebe a transformação mais evidente, o Multiplayer segue uma abordagem mais familiar e apresenta poucos conteúdos em comparação com as demais temporadas que chegaram ao jogo.


O mapa Quantum foi um dos melhores mapas pós-lançamento de Black Ops 7, especialmente por resgatar o estilo de mapas mais simples, com três rotas, característico da Treyarch. Já o segundo mapa adicionado é Bloodstead, uma variante temática de Halloween de Homestead, a propriedade de Alex e David Mason no Alasca.



Além disso, novas experiências levam os zumbis para o Multiplayer, como Zona de Horda e Provas do T.E.D.D.. O modo Hordepoint, por exemplo, mistura a disputa por objetivos com a presença de zumbis, criando partidas mais caóticas e diferentes do ritmo convencional do Multiplayer. Também existe uma conexão interessante com Zombies em Provas do T.E.D.D., que utiliza cenários associados ao modo para criar experiências de 6v6.


Contudo, há uma nítida reciclagem de conteúdos por parte da Treyarch na construção da última temporada de Black Ops 7. Isso acaba deixando um pouco chateados os jogadores que permanecem no game, já que, nas temporadas anteriores e no Halloween de Black Ops 6, as mudanças e adições foram mais expressivas.


Zombies recebe um dos conteúdos mais importantes da reta final


Se existe um modo que precisava receber atenção em uma temporada final de Black Ops 7, esse modo é Zombies.

A Temporada 6 implementa um Super Easter Egg para os jogadores que completaram as missões principais de todos os mapas. A recompensa inclui itens, cenas inéditas e a possibilidade de desbloquear o operador Warden, principal antagonista dessa história.

Esse suporte é importante porque evita que a última temporada pareça construída apenas para Warzone. A Treyarch consegue distribuir a despedida entre diferentes partes de Black Ops 7, algo que dá mais consistência ao encerramento do ciclo.



Endgame também entra no clima de A Assombração


O modo de extração Fim da Jornada recebe uma abordagem semelhante. Avalon ganha uma versão noturna, modificando completamente a atmosfera do mapa e dando uma nova identidade a uma área que os jogadores já conhecem.


A mudança pode parecer simples, mas funciona justamente por utilizar um espaço existente de uma maneira diferente. A escuridão altera a percepção do ambiente e combina com o restante da temporada, enquanto o evento Invocação Proibida acrescenta novos objetivos e recompensas.


Não é uma revolução para o modo, mas ajuda a evitar que ele fique completamente desconectado da temática principal da temporada, além de oferecer novos conteúdos de progressão aos jogadores.



Passe de Batalha atraente e BlackCell adiciona uma overdose de conteúdo


Os Passes de Batalha e o BlackCell durante o Halloween sempre estiveram entre os conteúdos mais atrativos para os jogadores e representam um dos períodos mais lucrativos para a Activision, especialmente com as vendas de pacotes na loja e de skins de eventos, como a colaboração com DOOM neste ano.


O Passe de Batalha tradicional segue a mesma premissa de sempre: custa 1.100 CP e, ao completá-lo, o jogador recupera o valor investido, que pode ser utilizado na compra do próximo passe ou em outros itens da loja. Os conteúdos são visualmente atraentes e certamente agradam aos fãs da temática, com diversos elementos que remetem ao Halloween.


Já o BlackCell, pela terceira temporada consecutiva, oferece desafios de camuflagens exclusivas aos compradores. Mas não de maneira simples: a proposta estimula os jogadores a completar requisitos específicos para realizar os desbloqueios. Da mesma forma, as skins de operadores e os projetos de armas principais do BlackCell, que recebem desafios desde a segunda temporada, também exigem dedicação para serem equipados.



Assim, o pacote injeta ainda mais conteúdo no jogo, ampliando a quantidade de objetivos disponíveis. E, claro, há também o acúmulo progressivo de 10% de XP adicional a cada BlackCell adquirido.


Um aspecto que quase ninguém comenta, mas que considero um dos grandes acertos de Black Ops 7, é a possibilidade de personalizar o HUD de combate, tanto em sua posição quanto em seu visual. É uma novidade em uma parte da interface que raramente recebe alterações desse tipo e que muda a percepção durante as partidas, mesmo sendo uma personalização essencialmente estética.


A cada BlackCell, tivemos um novo estilo de HUD, e, nesta temporada, foi apresentado o meu visual favorito. Uma pena que esse recurso não tenha sido introduzido também no Warzone.


As novas armas ajudam a manter o jogador no grind


A TR51 Para, VMP, Arcblade e Roc 20mm chegam ao jogo por diferentes sistemas de desbloqueio, dando aos jogadores mais objetivos para perseguir. A VMP, especialmente, chama a atenção por seu histórico dentro da franquia e funciona como um aceno aos jogadores que acompanham Black Ops há anos. A arma combina características de suas versões de Black Ops 3 e Black Ops 4 e representa um fan service que combina com uma temporada de encerramento, da melhor maneira possível, já que se tornou a arma mais forte do jogo.


O fuzil de assalto semiautomático TR51 Para também é conhecido pela comunidade, pois é baseado na FAL OSW de Black Ops 2, conseguindo preservar sua imponência na versão atual. Ambas as armas podem ser desbloqueadas gratuitamente pelo Passe de Batalha.



Já a arma de combate corpo a corpo Arcblade é desbloqueada por meio do evento Camo Costume Party, um dos melhores eventos implementados na franquia. A missão consiste em completar nove desafios para conseguir liberá-la. Além disso, o formato do evento introduz um fator de replay bastante interessante, com uma grande diversificação de objetivos para os jogadores ativos.


É necessário jogar com todas as classes de armas nos quatro modos disponíveis para coletar camuflagens específicas de cada classe e de cada modo. Há também uma camuflagem secreta, desbloqueada após a conclusão de todos os objetivos, que lembra bastante a Matéria Negra, presente em diversos jogos da saga.


Durante o evento de DOOM, baseado na franquia de games da Bethesda, também temos um passe com itens relacionados ao universo da série, por meio de uma progressão por escalões, com uma versão premium de 1.100 CP e uma linha gratuita. Ao completar a trilha gratuita, o jogador desbloqueia o armamento especial Roc 20mm, um canhão semiautomático.


Os desafios semanais foram encurtados com a chegada de Modern Warfare 4, prevista para 16 de outubro. Com isso, tivemos apenas quatro semanas disponíveis, com duas camuflagens para desbloquear: uma na metade do período e outra no final.


Também foram disponibilizados três kits de conversão para armas nas três primeiras semanas. Inicialmente, esses kits são bastante fortes, propositalmente, para estimular a comunidade a completar os desafios, voltar a utilizar armas que estavam sendo esquecidas e experimentar mais diversidade na jogabilidade.



A comunidade recebe novos itens, completa desafios, avança pelo Passe de Batalha e parte para a próxima recompensa. Funciona, mas dificilmente surpreende. No entanto, nesse quesito, Black Ops 7 acerta ao oferecer uma grande quantidade de conteúdos cosméticos que podem ser desbloqueados, ajudando a manter o jogo ativo por mais tempo.


O problema de A Assombração é justamente o peso da tradição


É aqui que a crítica à Temporada 6 fica mais interessante. A Assombração não precisa ser avaliada apenas como uma temporada qualquer de Black Ops 7. Ela carrega o peso de anos de eventos de Halloween em Call of Duty.

Desde 2019, o público passou a esperar transformações maiores durante essa época do ano. Mapas assustadores, zumbis, modos especiais, operadores temáticos, sustos e acontecimentos inesperados passaram a fazer parte da identidade da franquia durante esse período.


Por isso, qualquer novo Halloween inevitavelmente será comparado ao que já foi feito anteriormente. E Black Ops 7 entrega uma experiência competente, mas não necessariamente redefine o que A Assombração pode ser.


A temporada tem quantidade, mas nem sempre impacto


Esse talvez seja o principal ponto negativo. A Temporada 6 possui bastante conteúdo, mas quantidade não significa necessariamente impacto.


Existem novos mapas, modos, armas, eventos, recompensas e alterações em diferentes experiências. Para quem ainda está jogando Black Ops 7 diariamente, há motivos suficientes para continuar entrando no jogo. Porém, nem todos esses elementos possuem o mesmo peso que os conteúdos de anos anteriores.


Alguns parecem existir principalmente para manter o calendário de conteúdo funcionando, enquanto outros realmente conseguem criar momentos diferentes.


A Assombração funciona mais como celebração do que como revolução


Talvez essa seja a melhor maneira de definir a Temporada 6. Ela não tenta reinventar Black Ops 7. Em vez disso, reúne diferentes elementos do jogo e coloca tudo sob a identidade do Halloween.


E, considerando que estamos diante da reta final do ciclo, essa decisão faz sentido, especialmente diante da recepção negativa do game, das baixas vendas e da quantidade reduzida de jogadores ativos em comparação com a grandiosidade da franquia.


A Assombração funciona como uma celebração de despedida, e não necessariamente como uma grande expansão capaz de mudar completamente a experiência. Mas falta aquele momento capaz de fazer o jogador pensar que está diante de algo que nunca viu antes.



Um encerramento consistente para Black Ops 7


Depois de acompanhar, vivenciar e cobrir todo o ciclo de Black Ops 7, a Temporada 6 funciona como uma conclusão coerente para a Activision, mas tira o pé em relação ao que foi realizado nas primeiras temporadas do jogo.


Ainda assim, há variedade de conteúdo para quem joga Warzone, Multiplayer, Zombies ou Endgame. O problema é que essa variedade não significa que todos os conteúdos tenham o mesmo nível de relevância.


Para quem já estava cansado do ciclo, dificilmente A Assombração será suficiente para mudar completamente essa percepção. Para quem continua no grind, entretanto, a situação é diferente: há bastante conteúdo para jogar, desbloquear e explorar antes de virar a página para o próximo capítulo de Call of Duty.

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