PGB 2026: quase metade dos jogadores teme impacto da IA na indústria de games
- Lucas Venancio

- há 2 horas
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A indústria de jogos digitais no Brasil segue forte, mas passa por um momento de transformação. É o que revela a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026, divulgada nesta semana, que aponta uma estabilização no consumo após o pico registrado em 2025 e destaca uma nova postura do público: mais seletiva, crítica e atenta ao futuro da indústria — especialmente em relação ao uso de inteligência artificial.

O levantamento, realizado com 7.115 pessoas entre 16 e 55 anos, mostra que 75,3% dos brasileiros ainda jogam games, número inferior ao registrado no ano passado, quando o índice chegou a 82,8%. A queda, no entanto, não representa desinteresse, mas sim uma reorganização do mercado. Após um período de expansão acelerada, o consumo entra agora em uma fase mais madura, com jogadores mais conscientes sobre o que consomem e o que significa, de fato, ser gamer.

Essa mudança de comportamento aparece também na relevância dos jogos no dia a dia. Hoje, 86,7% dos entrevistados consideram os games uma das principais formas de entretenimento, sendo que 80,7% os colocam como a principal atividade de lazer. Ou seja, mesmo com a leve retração, os jogos seguem como protagonistas na rotina dos brasileiros.

Um dos pontos mais debatidos nesta edição da pesquisa é o avanço da inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. Longe de uma rejeição absoluta, o que se observa é um público dividido e reflexivo. 45,7% dos jogadores demonstram preocupação com a precarização do trabalho criativo, temendo que profissionais sejam substituídos por tecnologia. Além disso, 39,6% apontam receio em relação ao uso indevido de obras de outros artistas, enquanto 38,4% temem uma queda na qualidade dos jogos, com experiências consideradas “sem alma”.

Mesmo assim, o consumidor não fecha as portas para a inovação. A pesquisa indica que 39,3% dos jogadores comprariam um game mesmo sabendo que ele foi desenvolvido majoritariamente com IA, enquanto outros 40,9% afirmam que talvez consumiriam. O dado reforça que o debate não é sobre ser contra ou a favor da tecnologia, mas sim sobre como ela é utilizada — especialmente em relação à ética, transparência e impacto criativo.

Outro destaque importante do estudo é a mudança geracional no perfil dos gamers brasileiros. Pela primeira vez, a Geração Z (16 a 29 anos) se torna maioria, representando 36,5% dos jogadores, superando os Millennials, que agora aparecem com 33,7%. Esse público mais jovem traz novas dinâmicas para o mercado, com maior conexão com comunidades online, eSports e experiências mais imersivas.

Esse movimento também ajuda a explicar a transformação nas plataformas mais utilizadas. Embora o celular continue sendo a principal porta de entrada, com 44,1% da preferência, há um crescimento consistente no uso de consoles (24%) e PCs (21,1%). O avanço dessas plataformas indica um público mais engajado, disposto a investir em equipamentos e em experiências mais profundas dentro dos jogos.

Além das mudanças tecnológicas e de comportamento, a PGB 2026 também revela uma preocupação crescente com o futuro da propriedade digital. Com o avanço de jogos em nuvem e versões exclusivamente digitais, 34,5% dos entrevistados afirmam ter receio de perder acesso aos jogos adquiridos ao longo dos anos, enquanto 22% demonstram preocupação elevada com essa possibilidade. O dado mostra que o valor dos games vai além do momento presente, envolvendo também memória, preservação e a possibilidade de revisitar experiências no futuro.

Essa relação com o passado, aliás, segue extremamente viva. A pesquisa aponta que 62,6% dos jogadores costumam revisitar jogos antigos sozinhos, enquanto 55,1% jogam clássicos com amigos, reforçando o peso da nostalgia na cultura gamer. Não por acaso, fatores como promoções, remakes e melhorias técnicas aparecem como principais motivos para a recompra de jogos já conhecidos.

No fim das contas, a Pesquisa Game Brasil 2026 deixa claro que o mercado nacional está mais maduro — e o jogador também. Mais do que consumir, o público quer entender, opinar e participar das decisões que moldam a indústria. Em um cenário onde tecnologia e criatividade caminham lado a lado, o desafio das empresas será encontrar o equilíbrio entre inovação e identidade.












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