• J.V. Vicente

Nasce uma Estrela | Crítica - A brilhante entrada de Bradley Cooper como diretor


A brilhante entrada de Bradley Cooper  como diretor

Nasce uma Estrela é a quinta versão da trama quarenta e dois anos após o filme de 1976, protagonizado por Barbra Streisand. Dirigido e estrelado por Bradley Cooper, o filme tem no papel feminino a cantora Lady Gaga.

Na história, o famoso músico Jackson Maine descobre uma cantora desconhecida chamada Ally. Ao trabalharem juntos, os dois se apaixonam, porém à medida que ela ascende ao estrelato, ele vai sendo consumido pelo vício em álcool e drogas.

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O constante interesse de Hollywood por esse enredo talvez se dê pelo fato de que continua sendo atual. O tempo passa, é colocada uma roupagem diferente, mas a história sempre acontece. Como consta num trecho do filme: música nada mais é do que um “refrão que se repete”, assim é essa história, tanto na ficção quanto na vida real.

Bradley Cooper impressiona em seu primeiro filme como diretor. O ator soube trabalhar muito bem com a fotografia e a narrativa, gerando a empatia com o público. Impossível não sentir a apreensão, a angústia, a tristeza e o lamento nos momentos dramáticos.

Cooper foi muito eficiente no uso das posições de câmera. As cenas em primeiro e primeiríssimo plano dilaceram o público ao transmitir a emoção dos personagens.

Como ator e diretor, Bradley consegue envolver a audiência na tragédia pessoal do cantor Jackson Maine. O personagem, apesar de já abordado várias vezes de diferentes formas, não deixa de ser atual. Jackson é um retrato dos artistas que sofrem com os distúrbios, a depressão e o vício em substâncias. Pessoas em busca de passar uma mensagem, tentando ser compreendidas e tentando se compreender.

Lady Gaga também chega com tudo em sua estreia como atriz. O desempenho da artista em interpretar uma pessoa comum chama atenção. Gaga soube expressar emoção em momentos triviais. Além disso, ela mostrou todo seu talento como cantora e pianista.

Outros papéis notáveis são os de Sam Elliott e Rafi Gravon. Elliott é maravilhoso no papel de Bobby, irmão mais velho e figura paterna de Jack. Além dele, Gravon soube gerar a raiva com o antipático Rez, empresário musical.

Como um filme musical, não há o que criticar. As trilhas sonoras não só ilustram o filme, como também aprofundam o espectador no contexto emocional. As músicas “Shallow” e “Maybe It's Time” são excelentes faixas originais. Cooper e Gaga fazem um grande dueto e suas performances individuais também não deixam a desejar.

A música é abordada de forma reflexiva. O longa faz crítica à indústria musical da atualidade, que está priorizando a venda de tendências da cultura de massa ao invés de se importar com a arte.

Apesar da beleza e emoção do filme, ele não é isento de falhas. A química do casal não é muito boa, não pelos personagens, mas pela história. O roteiro da trama acaba por ser muito orgânico e os eventos se desenvolvem muito rápido. A ligação emocional gerada pelos personagens e a forma como Ally de uma hora para outra supera sua timidez e sai em turnês pelo país não é crível.

O filme precisava focar mais na construção de algumas questões, por exemplo, o romance. Não tem como uma mulher que acabou de sair de um relacionamento, apaixonar-se perdidamente em tão pouco tempo e embarcar sem reservas em uma relação que já demonstra sinais de problemas causados pelo vício do parceiro.

Em geral, como um drama musical, o filme tem seus méritos e pode indicar um grande futuro para Bradley como cineasta e Gaga como atriz.

Nota 4 / 5.

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