• Alexandre Agassi

Horror Expo 2019 | "No horror, ou você ama ou você tem medo"

Fundador e idealizador da feira, Victor Piiroja administra a VP Group, organizadora, e conta sobre como foi a criação da Horror Expo, que teve início na sexta-feira (20) e deve perdurar até hoje. O evento realizado no Palácio de Convenções do Anhembi é palco de uma série de criaturas horrendas e asquerosas que estão de arrepiar.

Para o criador, que já fez parte de diversas feiras de tecnologia, agora é um grande prazer poder produzir um evento totalmente imersivo e voltado para sua grande paixão, o universo do terror. "Estou muito emocionado por poder proporcionar isso e poder ter o privilégio de criar com esse grupo todo", diz.

Victor aponta que o que mais lhe chama atenção sobre o evento é ver o carinho que as pessoas tem pelo horror, porque, conforme define: "No horror, ou você ama ou você tem medo". Em entrevista exclusiva dada a Be Geeks, ele fala um pouco sobre como foi criar uma feira apenas voltada para esse universo, dos resultados que espera com isso e também um pouco a respeito do que mais gosta dentro do terror.

Victor ao lado de dois cosplays fantasiados de espantalho e zumbi, respectivamente. Imagem: (Lucas Venancio)

B.G.: Victor, como que veio a ideia de criar a Horror Expo?

PIIROJA: Eu percebi que a indústria de entretenimento tem crescido muito nos últimos anos, a gente vê isso na CCXP, na Brasil Game Show, mas nenhum desses eventos eram focados no universo de terror. E eu percebi que a gente tinha um espaço muito grande e de um público muito apaixonado pelo assunto e que poderia fazer algo realmente diferente e especial para essa comunidade, falando de cinema, televisão, literatura, música e mostrando o que existe de melhor no universo internacional, mas mostrando o que existe de inteligente e interessante no Brasil também. Você tem grandes cineastas, tem bandas nacionais de horror, que vão cantar aqui, vão tocar na feira, mostrando escultores, escritores, então assim, congregando todo um grande núcleo sobre o mundo do horror em um único grande espaço.

B.G.: Quando foi isso?

PIIROJA: Isso tem três anos já. Eu trabalho com feiras de tecnologia há muitos anos e percebi que faltava isso, que tinha uma lacuna interessante porque existem festivais de cinema no Brasil, existem eventos de universo fantástico, mas nada 100% focado. Eu percebia que as pessoas olhavam e falavam "Puxa, tem um pouquinho, mas falta".

B.G.: E você está gostando do resultado de como ficou a feira?

PIIROJA: A gente só vai saber no pós-evento. Quando você cria uma feira, ela não é tua, é nossa, de todas as pessoas. Porque eu preciso convencer as pessoas a saírem de casa, a passarem três dias conosco e realmente a abraçarem esse projeto. De início, é muito difícil convencer as pessoas. O que é um evento de horror? É um evento de experiência. A gente tem labirintos aqui, a gente uma área que é um labirinto zumbi dentro de ônibus de desmanche. É um negócio muito louco. E são cenários diferentes. A gente tem uma área de realidade virtual também. Tem muita coisa nova. Tem um pequeno cinema escondido ali que tem filmes do cinema asiático de horror. A gente tá trazendo atores internacionais também, bandas internacionais. E você percebe o entusiasmo das pessoas no primeiro momento. É um evento que ficou bonito, é um evento que ficou diferente e não parece com nada e nunca foi realizado nada assim na América Latina. É um desafio também porque as grandes empresas no começo olham e falam: "Nossa, mas terror? Eu não tenho nada a ver com isso". Então é um desafio convencer o público, as pessoas. Mas eu tô muito feliz, tô muito emocionado, poder proporcionar isso e poder ter o privilégio de criar com esse grupo todo. Porque foram milhares de pessoas que acreditaram nessa missão.

B.G: Victor, você sempre gostou do universo de terror?

PIIROJA: Sempre, desde criança.

B.G.: Você se lembra qual foi o primeiro filme de terror que viu quando criança ou o que mais te marcou?

PIIROJA: Faces da Morte (Faces of Death, 1979).

B.G.: Qual o seu filme de terror favorito?

PIIROJA: Cara, eu adoro o Chucky. Mas o Chucky antigo. Que o Chucky novo parece o novo Ken humano e aí não ficou muito legal. Eu gosto do Brinquedo Assassino original (Child's Play, 1988). A gente, inclusive, conversou pra trazer o criador do Chucky esse ano, só que ele tá em uma gravação de uma série.

B.G.: E de tudo que você visualizou aqui, o que mais te chamou atenção?

PIIROJA: Eu fiquei muito feliz em ver o cuidado e o carinho das pessoas com o evento, sabe. É muito legal, porque no horror ou você ama ou você tem medo. Mas ninguém fica neutro a esse assunto. Isso é muito especial.

B.G: O universo de terror em uma palavra é?

PIIROJA: Experiência.

B.G.: É o gênero que você mais gosta?

PIIROJA: Sem dúvida. O horror é aquela coisa que mesmo que você não goste, você tem curiosidade. E pra quem gosta é muito apaixonante e é legal quando você trabalha todas essas vertentes de horror, desde os monstros, o universo sobrenatural, é muito amplo e a gente tem milhares de artistas diferentes.

A Orquestra de Metais da Banda Marcial de Cubatão foi uma das atrações da Horror Expo. Imagem: (Bruno Bragante)

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