• Alexandre Agassi

Visão do Fã | Duro de Matar


Duro de Matar | Visão do Fã

YIPPEE-KI-YAY, meus caros leitores! Chegou outro fim de ano e nada melhor que relembrar do melhor filme de Natal já feito na face da Terra! Falo dele mesmo: Duro de Matar.

O filme foi revolucionário para o gênero de ação. Até então filmes de ação eram protagonizados por agentes secretos, soldados, heróis de guerra, mestres de artes marciais etc. Hollywood vivia o seu auge do “cinema brucutu”. Um filme estrelado por Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger era sinônimo de boas bilheterias. Contudo, em 1988, o diretor John McTiernan, famoso por O Predador (1987), veio com a ideia de fazer um filme bem incomum para a época. Ao invés de grandes heróis com feitos extraordinários, ele queria que o principal fosse uma pessoal normal, com problemas de gente normal. E assim inventou-se John McClane.

Duro de Matar foi um sucesso absoluto de bilheteria e de crítica, além de ter ganhado uma legião de fãs. E como Hollywood é a terra onde nada se cria, mas tudo se copia; logo muitos outros replicaram esse clássico de todas as maneiras possíveis. Assim, hoje temos Duro de Matar num barco (A Força em Alerta, 1992), Duro de Matar num trem (A Força em Alerta 2, 1995), Duro de Matar num estádio (Morte Súbita, 1995), Duro de Matar numa montanha (Risco Total, 1993), Duro de Matar num ônibus (Velocidade Máxima, 1994), Duro de Matar numa cabine telefônica (Por Um Fio, 2002), Duro de Matar numa escola (Rebeldes e Heróis, 1991). Mas com toda certeza os favoritos são Duro de Matar na Casa Branca – O Ataque (2013), Invasão a Casa Branca (2013) – e Duro de Matar num avião – Força Aérea Um (1997), Passageiro 57 (1992), Momento Crítico (1996).

Duro de Matar (Die Hard, 1988)

Duro de Matar, pôster do filme

A princípio, o papel de John McCLane foi oferecido para vários dos “brucutus”, inclusive Stallone e Schwarzenegger. Porém, todos rejeitaram. Até que chegou às mãos de um premiado ator por uma série de TV de comédia chamada A Gata e o Rato (1985 – 1989). Seu nome era Bruce Willis. Embora tenha feito alguns filmes pouco conhecidos de comédia, sua fama era na TV. Portanto, para aquele tempo, ninguém conseguia imaginar Bruce Willis num papel de filme de ação.

Além dele, era também necessário alguém que fosse um vilão tão interessante quanto o herói. E mais uma vez McTiernan fez outra aposta no escuro ao investir num ator da TV e do teatro: Alan Rickman. Eternamente famoso por interpretar o professor Severo Snape na franquia Harry Potter, a carreira de Rickman decolou graças ao seu papel como Hans Gruber.

Duro de Matar segue uma premissa muito simples. Na noite de natal, um edifício comercial em Los Angeles é tomado por terroristas atrás de dinheiro, mas eles não esperavam que um policial estivesse escondido para impedir que seus planos dessem certo.

A quadrilha faz reféns dentro do prédio. Dentre eles, está Holly Gennero (Bonnie Bedelia), esposa de John McClane, o policial que será o pior pesadelo para o líder do grupo de criminosos, Hans Gruber.

John McClane é um herói não convencional. Ele é um personagem com o qual o público pode se identificar, pois ele, apesar de durão e tudo mais, tem seus próprios medos. Ele comete erros, nem sempre é corajoso, é engraçado, cheio de frases de efeito, vê muitos filmes e, sobretudo, ele é um paizão, que ama seus filhos e sua esposa. Logo de início, por exemplo, vemos que McClane tem medo de voar, mais tarde descobre-se que ele passa por problemas no casamento, nem sempre ele toma a atitude mais inteligente. No entanto, a principal característica que diferencia John McClane de qualquer outro herói dos anos 80 é que ele não quer ser o herói. Ele apenas estava no lugar errado e na hora errada, quando a vida de reféns depende da coragem dele.

Alan Rickman é Hans Gruber, o melhor vilão de toda a franquia

Enquanto isso, Hans Gruber é o perfeito antagonista para McClane. Ele é calmo e calculista. Mas não pense que ele é sem graça. Pelo contrário, Gruber é cativante e carismático com suas ótimas respostas para McClane. Nada daquelas interpretações forçadas e robustas típicas de vilões de “filmes de brucutus”. O personagem de Alan Rickman a todo o momento demonstra uma expressão leve e paciente, que, paradoxalmente, potencializa a tensão do filme. Pois sempre parece que ele está a um passo a frente de McClane com um plano de ação já arquitetado. Ele é inusitado, surpreendendo o espectador com suas decisões deliberadas.

Digno do termo “clássico”, Duro de Matar sempre contará com suas cenas inesquecíveis, as referências à cultura pop de John McClane e suas frases de efeito.

Nota: 5 / 5

Duro de Matar 2 (Die Hard 2: Die Harder, 1990)

Duro de Matar 2, pôster do filme

Seguindo o sucesso extraordinário de seu episódio original, Duro de Matar 2 repete a mesma fórmula que o tornou tão famoso. Dirigido por Renny Harlin, a trama agora se passa num aeroporto.

O líder de um grupo terrorista está encarcerado e sendo extraditado para o aeroporto de Washington DC. Os seguidores desse grupo tomam o centro de controle e prometem deixa-lo se permitirem que seu líder fuja em liberdade. Enquanto isso, John McClane espera pela chegada de sua esposa, Holly, mas quando suspeita de um ataque terrorista, ele é o único capaz de solucionar o problema e assim rever sua mulher.

Duro de Matar 2 bebe muito das fontes de seu antecessor, trazendo um argumento muito semelhante, embora tenha sim algumas diferenças. John McClane está mais sério, mas continua sendo o mesmo policial estressado. Mas nem por isso o longa fica sem graça de algum modo ou coloca a comédia em detrimento da ação. Duro de Matar 2 equilibra bem isso, gerando cenas de arrancar boas risadas.

Outra vez a polícia, o exército, o FBI etc. não ajudam em nada e muitas vezes atrapalham, deixando o serviço para John McClane fazer o que ele faz de melhor: ser o herói (a contragosto, como sempre). Novamente a mídia faz seu trabalho sujo de apenas irritar e piorar a situação para os protagonistas, o que torna este filme ainda mais parecido com o primeiro.

O vilão, o Coronel Stuart (William Sadler), é impressionantemente mais fraco que Hans Gruber, que acaba esbarrando no clichê de vilão dos anos 80. Uma atuação forçada e ao mesmo tempo inexpressiva. Stuart é vazio, demasiadamente sério e nem um pouco cativante. No final, ele é só mais um vilão para o herói vencer, caindo totalmente no esquecimento.

William Sadler é o coronel Stuart em Duro de Matar 2

Apesar de mais exageradas, as cenas de ação imprimem mais emoção e tensão para o longa, superando até mesmo seu antecessor. Fruto de uma edição bem feita, criando uma coerência narrativa e simultaneamente capturando a atenção do espectador.

Duro de Matar 2 é quase tão bom quanto o anterior. Mas é nada mais que uma cópia do primeiro filme, mesmo que ainda seja maior e mais intenso.

Nota: 4 / 5

Duro de Matar – A Vingança (Die Hard: With a Vengeance, 1995)

Duro de Matar - A Vingança, pôster do filme

O retorno do diretor do clássico não significou uma melhora, uma vez que este é um dos filmes mais fracos da franquia. John McTiernan, após dois fracassos de bilheteria, decidiu voltar para a saga que ele mesmo criou. Ao invés de um prédio ou um aeroporto, John McClane tem toda a cidade de Nova Iorque pra rodar quando uma ameaça terrorista aparece em cena.

Duro de Matar – A Vingança tenta se afastar ao máximo do que o primeiro filme construiu. Ao invés de um filme de natal, que tal a pura ação sem nenhum vínculo com algum feriado religioso? Ao contrário do problema chegar até John, e se ele for simplesmente jogado para o problema? Por que não introduzir um parceiro para John?

No filme, temos um John McClane de ressaca, separado da esposa e dos filhos, de volta a sua cidade, Nova Iorque. Um terrorista que se comunica por telefone deseja colocar desafios para John resolver sob a ameaça de explodir a cidade caso ele não obedeça ou não seja capaz de solucionar. No primeiro deles, o policial é salvo por um morador do bairro do Harlem chamado Zeus (Samuel L. Jackson). Desde então, ele é forçado pelo terrorista a acompanhar McClane, enquanto a polícia deve descobrir quem está por trás desses ataques.

Provavelmente o melhor de Duro de Matar – A Vingança se encontra nos seus personagens. Bruce Willis e Samuel L. Jackson constituem uma dupla e tanto, que faz uma leve alusão a Riggs (Mel Gibson) e Murtaugh (Danny Glover) em Máquina Mortífera. Willis é o John McClane que já estamos acostumados, repleto de comentários hilários, enquanto que Samuel L. Jackson é o mesmo personagem que ele sempre interpreta na maioria de seus filmes. A dinâmica entre eles é muito bem feita, o trabalho de um depende do sucesso do outro, o que torna ambos muito interessantes.

Samuel L. Jackson e Bruce Willis formam uma dupla e tanto

Jeremy Irons é outro ponto positivo. Quase tão formidável quanto o Hans Gruber no primeiro filme, ele encarna Peter Krieg, irmão de Hans, e como o próprio título do filme já informa, ele almeja vingança contra John McClane por ter matado Gruber. Por isso, Irons se inspira muito na impecável atuação de Alan Rickman para fazer seu papel.

Jeremy Irons interpreta Peter Krieg, irmãos de Hans Gruber

O roteiro é muito eficaz em construir esses personagens; não obstante, ele é incrivelmente falho em conseguir criar a tensão. A ação do longa é muito bem executada, tanto na maneira como o diretor conduz elas até como elas foram montadas. Porém, ela é meramente despejada. Não há suspense em torno do que vai acontecer, não há emoção. Um sintoma gravíssimo já que ao invés de prender atenção, o filme se transforma entediante, enfadonho e cansativo, o que é apenas aliviado graças ao humor, que sustenta a maior parte do longa.

Outro problema são os enigmas impostos pelo vilão. Eles iniciam como atrativos para puxar o espectador para a narrativa, mas logo vão se tornando complexos demais e os personagens de Bruce Willis e Samuel L. Jackson simplesmente surgem com resoluções do nada apenas para dar continuidade à história. Duro de Matar – A Vingança é um daqueles filmes que assistimos apenas para pular para sua sequência.

Nota: 3 / 5

Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, 2007)

Duro de Matar 4.0, pôster do filme

Sob um pretexto ainda mais ambicioso que todos os outros já feitos, John McClane agora precisa salvar os Estados Unidos de uma ameaça que não é física, mas virtual!

Duro de Matar 4.0 introduz uma reflexão muito curiosa num mundo onde tudo pode ser controlado pela tela de um computador. Afinal, o quanto estamos vulneráveis na internet? É de assustar, principalmente por ser um tema muito atual. Pare para pensar que poucos anos depois do filme, começaram a estourar casos de espionagem como os documentos sigilosos dos EUA na guerra do Afeganistão vazados pelo WikiLeaks, por exemplo.

John McClane é um pai já divorciado há anos e agora está tentando se reconectar com sua filha Lucy (Mary Elizabeth Winstead), com quem tem sérias dificuldades de relacionamento. Na trama, ele deve proteger o jovem hacker Matt Farrell (Justin Long), que está sendo perseguido por terroristas que tomaram o governo dos Estados Unidos. Eles controlam quase tudo desde a inteligência até a ala militar. Os semáforos, as câmeras de rua, o rádio da polícia, os canais de televisão, os satélites, rastreiam carros e celulares e o escambau.

Apesar de não oferecer nenhuma interpretação extraordinária, Justin Long entrega um bom trabalho. Ele é histérico, mas de uma forma contida antes que isso se torne um detalhe irritante. Assim, esse seu jeito, unido ao estressado John McClane produz bons momentos de comédia.

John McClane deve proteger Matt Farrell quando terrorista estão atrás dele

Thomas Gabriel (Timothy Olyphant), o bad guy da vez, tenta fazer algum antagonismo com McClane, principalmente da metade para o final do filme, mas falha miseravelmente. Enquanto que Mai (Maggie Q) é astuta e boa de briga, fazendo dela uma boa vilã.

Mas o melhor está no roteiro do filme, que amarra bem a história e mantém o espectador com a adrenalina lá no alto. John McClane tem seus momentos brilhantes, demonstrando sua inteligência e sua desenvoltura para acabar com diversos capangas de Gabriel.

Infelizmente, o verdadeiro problema do filme está na maneira como o diretor Len Wiseman planejou o ato final. Ao longo da série, uma das características é exatamente esse exagero, cenas de ação absurdas e tudo mais. Este, no entanto, devido aos efeitos especiais que estavam à disposição, ultrapassa todos os limites possíveis. Bruce Willis dirige um caminhão enquanto é perseguido por um jato! No final, o caminhão explode, o jato explode, a ponte que os personagens estavam também explode, tudo é forçado na tela. E como sempre, McClane sai vivo, embora muito machucado. Algo tão inverossímil que acaba perdendo impacto e finalizando o longa da forma mais preguiçosa e clichê possível.

Nota: 4 / 5

Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard, 2013)

Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer, pôster do filme

De vários diretores que já foram escalados para dirigir algum Duro de Matar, essa foi a vez de John Moore, que vinha ganhando certa fama com alguns filmes de ação. Porém, Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer é até hoje um filme para se perguntar o porquê foi feito.

Imagine um filme ruim em todos os aspectos – atuação, roteiro, direção, fotografia, edição – tudo! Tudo é incoerente nesse filme.

Aqui temos John McClane tendo que salvar o mundo. Quando ele finalmente tira férias, o policial decide encontrar seu filho Jack (Jai Courtney) e se reconciliar com ele. Para isso, McClane vai até a Rússia, onde seu Jack respondia por um caso de homicídio. Logo, o protagonista descobre que ele na verdade é um espião da CIA, e pai e filho embarcam numa jornada onde terão de combater um perigoso grupo de terroristas com grande poder no mundo todo.

Jack é um péssimo parceiro para McClane. Seu relacionamento com seu pai é fraco e raso. Ele é entediante, chato e até uma porta é mais inteligente que ele. Quanto ao antagonista, ou melhor: quem é afinal o antagonista nesse filme? Se no passado, Duro de Matar contava com excelentes vilões, neste não temos nenhum. O filme é uma série de reviravoltas, com inúmeros personagens desinteressantes e pouco memoráveis.

Jai Cousrtney é Jack McClane, o filho espião da CIA de John McClane

Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer é um emaranhado confuso, no qual os personagens apenas reagem às situações onde são postos. Com um ou outro lapso de inteligência graças à presença de John McClane na narrativa.

A fotografia é preguiçosa, cheia de clichês de filmes de ação da atualidade – aquela irritante câmera tremida e planos muito fechados. Além da edição feita nas coxas, valendo citar a perseguição de carro logo no início, que é demasiadamente confusa. Para piorar, o longa é muito escuro e já começa com um tom sério seguido de um tema político, retirando totalmente a essência de Duro de Matar.

Até a comédia é porcamente usada. As piadas são repetitivas, tal como o Bruce Willis falando o tempo todo: “Eu estou de férias”, indo do engraçado ao chato muito rapidamente.

O que alivia um pouco é o fato de ainda ser um filme protagonizado por John McClane, que com seu típico mau-humor consegue nos conduzir muito a contragosto até o seu fim.

Nota: 0,5 / 5

OUTRAS INDICAÇÕES

John McClane em Duro de Matar, imagem ilustrativa apenas

Duro de Matar 6 (?)

A franquia deverá ganhar uma sexta sequência ainda sem data de estreia definida. Len Wiseman está sendo cotado para dirigir o filme novamente, que se chamará McClane. Duro de Matar 6 vai contar duas histórias ao mesmo tempo: uma no presente, mostrando a vida atual de John McClane, e outra no passado, traçando o início da sua carreira nos anos 70. O longa ainda está em pré-produção.

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