• Alexandre Agassi

Questões de Família | Crítica: as formas de lidar com mudanças da vida


Três irmãs, uma mãe e três pais distintos. Cada uma tem sua própria vida. Uma deve lidar com criação de três crianças, a segunda está com o casamento e o emprego por um fio, e a terceira ainda não aprendeu a ser responsável e independente. É assim que começa Questões de Família (2019), da cineasta holandesa Will Koopman. Na trama, a descoberta que a mãe está com câncer no pulmão proporciona grandes mudanças na vidas dessas três irmãs.

Questões de Família é o filme que conduz o espectador para uma narrativa leve, mesmo se tratando de um tema tão dramático quanto a perda da mãe e como isso significa para vida das irmãs. Com aspirações nos filmes de Linklater (Antes do Amanhecer; Boyhood), temos um longa que procura retratar a vida como ela é, incluindo momentos de comédia e de drama dentro da temática da vida em família.

O roteiro de Frank Houtappels junto com o trabalho de Koopman na direção conseguem equilibrar bem tais momentos, deixando um filme leve, mesmo o espectador sabendo de como será o desfecho da história. A condução é orgânica que, embora triste, a morte da mãe não é tão impactante. O que realmente fica de importante é como essas personagens evoluíram, aprendendo a se adaptar com as transformações ocorridas.

Além da situação da mãe, as irmãs April (Linda de Mol), May (Elise Schaap) e June (Tjitske Reidinga) também devem aprender a se conectarem com o irmão Jan (Bas Hoeflaak) que é autista. Sabendo do que vai acontecer, a mãe Mies (Olga Zuiderhoek), prefere realizar uma grande festa de aniversário contando com todas as pessoas que ela gosta, incluindo os pais do filho e das filhas. Acontece que o pai de Jan foi um caso antigo que ela teve e nunca mais se viram, nem mesmo trocaram contato. Então acompanhamos a segunda parte da narrativa com a investigação atrás do pai dele, que trará uma reviravolta na terceira e última parte.

Chegamos, então, ao ato três de Questões de Família, o inevitável fim. Agora conhecemos cada uma das irmãs e vimos como a vida de cada uma mudou, mas de uma maneira positiva. É esse o legado, ou melhor, o aprendizado que o longa deixa. De como durante a vida, sofremos grandes transformações repentinas, mas nos adaptamos e por mais que acabamos passando por um momento bastante triste, no final tudo termina bem.

O filme está disponível na plataforma de streaming Cinema Virtual. Para conferir, acesse o site aqui.

Nota 4 / 5

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