• Paulo Lídio

Creed 2 | Crítica – O universo de Rocky Balboa segue vivo


Após 3 anos do primeiro filme, Creed 2 volta para manter a franquia em alta. (Imagem: Warner Bros. / Divulgação)

Quando Creed (2015) foi lançado, o mundo foi pego de surpresa. Depois de Rocky Balboa se estabelecer como uma das maiores franquias de todos os tempos, finalmente teríamos um longa onde Sylvester Stallone não seria o ator principal. Entretanto, enquanto muitos não esperavam que o filho de Apollo Creed conseguisse sustentar um filme, ele foi muito mais além. A escalação de Ryan Coogler na direção e de Michael B. Jordan para encarnar Adonis Creed rendeu inclusive indicações do filme ao Oscar. A missão agora é fazer com que um grande sucesso mantenha o nível de excelência em sua continuação, algo que nem sempre é possível.

Todavia, os fãs podem ficar tranquilos com Creed 2. A troca na direção foi sentida na questão da tonalidade presente no longa. Steven Caple Jr. assumiu o comando, porém manteve Ryan Coogler como um dos produtores, o que se provou como uma sábia escolha. Os dilemas vividos por Adonis Creed (Michael B. Jordan) e Rocky Balboa (Sylvester Stallone) não são mais tão profundos como no primeiro filme; todavia, a mensagem principal que o longa quer passar aos expectadores consegue ser executada com sucesso. Em suma, os fãs mais saudosistas da franquia original tenderão a sair mais contentes da sala de cinema em virtude de enredos semelhantes aos antigos, além de easter eggs e referências à saga criada por Stallone. É difícil comparar trabalhos de diretores diferentes, mas enquanto Coogler prefere algo mais emocional, a linha de Steven Caple opta mais por um tributo e estabelecimento de um universo.

A dinâmica entre Rocky Balboa e Adonis Creed é fundamental para a sequência do primeiro filme. (Imagem: Warner Bros. / Divulgação)

O fato do sucesso desta nova franquia está diretamente ligado a química entre Michael B. Jordan e Sylvester Stallone. A dinâmica entre tio e sobrinho volta a funcionar, mas dessa vez ela é levada a um nível mais intenso. Adonis Creed conseguiu levar o nome de seu pai de volta aos holofotes e consagrar seu nome no boxe mundial. Porém, isso não é suficiente para ele, que deseja encontrar a satisfação interna para sua vida, o que afeta seu relacionamento familiar. Do outro lado, temos um Rocky Balboa lidando com eternos dilemas e fantasmas de sua vida, além do fato de ter Adonis como um filho. Quando o passado de ambos resolve vir à tona, o conflito emocional é inerente, resultando na percepção imediata de que sem os dois atores, tal produção não conseguiria ter saído do papel.

Após o destaque no primeiro filme no papel de Bianca, Tessa Thompson merecidamente ganhou mais espaço nas telonas, incluindo a participação em longas de sucesso como Thor: Ragnarok (2017). Agora, além de ser a esposa de Adonis, ela luta para conquistar o seu lugar ao sol como cantora, ao mesmo tempo que descobre estar grávida. Entretanto, a evolução de seu relacionamento acaba gerando conflitos, uma vez que ela sente seu parceiro cada vez mais em dúvida entre a carreira no boxe, a família e o legado do pai.

Tessa Thompson mostra o seu valor ao não ser limitada apenas como o par romântico do filme. (Imagem: Warner Bros. / Divulgação)

A questão dos antagonistas também é muito bem explorada ao trazer de volta Ivan Drago (Dolph Lundgren) e apresentar o seu filho, Viktor Drago (Florian Munteanu). Enquanto o pai perdeu tudo após a derrota para Rocky Balboa, incluindo a esposa e o prestígio no país, o filho é quem acaba sofrendo mais. O retorno de Ivan para a franquia poderia ter sido uma escolha ruim, mas os roteiristas souberam muito bem encaixar o personagem para que não se tornasse apenas uma referência ou fã service. É claro que os amantes da franquia sentem até hoje o ódio por Ivan Drago após a morte de Apollo Creed e a luta decisiva em Rocky IV. Mas é interessante saber que houve uma preocupação em expandir esse universo e mostrar as consequências do que houve na Rússia.

Quem mais sente na pele tudo isso é Viktor Drago, que acaba sendo relutado a um lutador amador, revezando entre lutas e serviços de minerador, treinado por seu pai e mantendo o legado da família. O relacionamento abusivo com seu pai, que o força a viver em sua imagem e sombra, sem demonstrações de carinho e afeto, tudo por culpa de uma mágoa do passado, gera diferentes sentimentos no expectador. Com o decorrer da trama, quando se analisa as trajetórias de Adonis e Viktor, fica fácil para o fã se perder ao se ver torcendo para os dois personagens obterem a tão desejada redenção. Destaque extra para a escalação de Florian Munteanu para o papel de Viktor Drago, uma vez que ele é lutador de boxe profissional e que, dentro dos limites para o que lhe foi designado, consegue transparecer o sentimento necessário para criar um bom antagonista.

Apesar do relacionamento complicado, Viktor e Ivan Drago buscam a redenção em Creed 2. (Imagem: Warner Bros. / Divulgação)

Se você é fã da franquia Rocky Balboa, da franquia Creed ou gosta de ambos, vá com o sentimento de que sua paixão pelos filmes foi respeitada. Lutas bem coreografadas, diálogos e discussões fortes, e muita superação: a continuação da saga de Adonis Creed é uma conexão entre passado, presente e futuro. O que evidencia que uma história pode sim ser contada novamente e manter a sua essência, abrangendo tanto a nova quanto a velha geração. Por último, o nosso eterno obrigado a Sylvester Stallone, que a princípio, não deve retornar caso haja um terceiro filme da franquia Creed. Nossa gratidão será eterna ao bom e velho Italian Stallion. Nota: 5/5

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