• Alexandre Agassi

Be Geeks na CCXP 2018 - Entrevista com Michel Borges, do mangá do Jaspion


Jaspion, o defensor da Terra (Ilustração: Michel Borges / site oficial)

Com mais de 15 anos de carreira, Michel Borges vem deixando sua marca no mundo dos quadrinhos aqui no Brasil. No ano passado abraçou de vez um projeto ambicioso: o primeiro mangá brasileiro do Jaspion! Para quem não foi criança nos anos 80 e 90 talvez não saiba, mas o Jaspion é o tokusatsu mais famoso no Brasil, e há muitos que ousam dizer que ele é um herói mais brasileiro que japonês. O programa de televisão batia recordes de audiência e era amado pelas crianças.

Seu legado nos traz para os dias atuais, em que Michel em parceria com a JBC estão produzindo uma história do Jaspion aqui mesmo em terras tupiniquins, que deve lançar neste ano. Eu tive a honra de entrevistar Michel na Comic Con Experience 2018 no Artist's Alley, onde ele me contou mais a respeito da sua carreira e suas impressões pessoais ao se dedicar em desenhar um mangá de um de seus heróis de infância.

Esta é a segunda de uma série de entrevistas com artistas brasileiros realizadas na CCXP. Confira abaixo:

Michel Borges na CCXP 2018 (Foto: Alexandre Agassi)

AA: Michel, como tá sendo trabalhar no mangá do Jaspion?

MB: Muita expectativa, porque a galera tá dando muito apoio. É aquele sonho, né, que quando você é desenhista, faz vários quadrinhos e sempre tem os seus heróis preferidos. Então você imagina como seria trabalhar com eles. E é uma grande surpresa poder estar envolvido nesse projeto com aquele herói que sempre significou muito pra todo mundo.

AA: De onde você pegou inspiração pra fazer esse novo mangá?

MB: Principalmente a obra original. Tudo aquilo que tinha na série, e a gente já achava envolvente, já era empolgante, e às vezes por causa da tecnologia, as técnicas de filmagens, o orçamento ficava oculto ali, mas era insinuado aquilo que você via acontecendo. Então a ideia é usar todo esse potencial no mangá e usar as técnicas que já vimos em tantos mangás sensacionais, como One Punch Man ou até mesmo Dragon Ball. Tem tanta coisa que em todos esses anos são de encher os olhos e a gente quer aplicar no Jaspion.

AA: Você viu algum desafio na hora de fazer esse mangá?

MB: Na verdade nem comecei a desenhar as páginas ainda. Mas trabalhei nas artes conceituais pra experimentar o estilo. O desafio mesmo foi a armadura tecnológica e também o rosto dos atores. E mesmo no meu estilo, você vê que são eles, mesmo que esteja meio estilizado, bem puxado pro mangá. Que vai pra um lado realista, mas ainda não é fotográfico. Então tenho esse desafio, mas acredito que estou conseguindo alcançar um bom resultado.

AA: Agora falando no geral, quais são os mangás e desenhos que você mais se inspira na hora de fazer o seu trabalho?

MB: Acho que o One Punch Man, do Yusuke Murata, que foi um choque. É muito legal que ele fica livre do que eu chamo de “otakisse”. Ele pega muito aquilo que tinha nos anos 80 e atualizando muita coisa que tinha nos anos 90, anos 2000. Gosto muito dessa categoria de mangás de ação mais arrojada.

Jaspion e Daileon (Ilustração: Michel Borges / site oficial)

AA: Qual foi o projeto que você mais gostou de fazer na sua vida toda?

MB: Está sendo o Jaspion, não tem como.

AA: E esse está sendo o melhor momento da sua carreira?

MB: Olha, o Jaspion tá roubando a cena. Estou num bom momento. É esse atual mesmo.

AA: Você prefere trabalhar no mercado editorial ou no independente?

MB: Depende da perspectiva, do local. Porque no âmbito nacional, praticamente não existe, é algo bem pequeno, ainda mais com todas as crises. Então na nossa realidade, o independente é algo bem legal, ainda mais com toda tecnologia e com os meios de comunicação atuais. Você pode ficar próximo do público, então o independente está muito interessante no momento aqui.

AA: Você vê alguma dificuldade em fazer quadrinhos no Brasil?

MB: Sim. Porque você tem que realmente gastar um esforço próprio mesmo, se focar, é bem difícil. Mas também é gratificante.

AA: Por que você virou quadrinista e que idade tinha quando fez sua primeira história em quadrinhos?

MB: Acho que foi entre uns 3 e 4 anos. Eu já fazia umas aventuras do “Super Michel”. Não lembro exatamente a idade. Mas foi assim uma paixão inicial, foi assim acho que desde nascença.

Veja abaixo o teaser do mangá:

Acompanhe Michel nas redes sociais:

Facebook: /michelborgescomics

Twitter: @michelborgess

Instagram: @michel_borges

Site: http://michelborges.com.br

 POSTS RECENTES