• J.V. Vicente

Missão Impossível: Efeito Fallout - Crítica


O novo longa do missão Impossível vem dado o que falar desde a sua produção. Envolto em acontecimentos como a contusão de Tom Cruise e o polemico bigode de Henry Cavill, que teve que ser removido digitalmente para as refilmagens de Liga da Justiça, e como foi visto, não deu certo. Com tudo isso, fica a pergunta, no final valeu a pena? O resultado foi um filme feito com dedicação, precisão e eficiência.

Dirigido por Christopher McQuarrie, o novo Missão impossível tem no elenco os astros Tom Cruise, Simon Pegg, Ving Rhames, Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan, Sean Harris, Angela Bassett, Alec Baldwin, Vanessa Kirby e Henry Cavill.

Na história do longa, após ser desautorizado pelo governo devido à um erro cometido na Alemanha, Ethan Hunt (Cruise) é obrigado a trabalhar com a CIA, junto do agente August Walker (Cavill). Porém nada é o que parece e os perigos estão em toda parte. Hunt tem de lidar com uma trama de traição e conspiração enquanto tenta impedir um desastre Nuclear.

O novo Missão Impossível pega os melhores elementos da franquia e transmite com a mesma empolgação que fez sucesso por todos esses anos. O filme é frenético, a ação desenfreada e a trama é cheia de tensão e momentos de tirar o folego. As reviravoltas e surpresas são constantes e não estão lá de uma forma previsível ou sem utilidade. O longa é também recheado de momentos cômicos e divertidos.

Assim como em Nação Fantasma, o novo longa aborda com realismo e seriedade a narrativa de uma trama de espionagem. Você nunca sabe em quem confiar, todos têm interesses próprios e as armadilhas podem vir de qualquer lado.

Ao mesmo tempo, o filme leva o expectador à situações literalmente impossíveis, perdão o trocadilho, e como de costume, que beiram ao ridículo. Os fãs da boa e velha ação galhofa da franquia não perdem o entretenimento. Mais do que nunca, o novo longa é cheio de malabarismos e estripulias, com situações de perigo que não estão se importando com a lógica e tao pouco com críticas em relação em relação à previsibilidade ou realismo. Em vários momentos o personagem fica vivo por um triz, e mesmo assim, no final das contas, as probabilidades milagrosamente o ajudaram. O próprio roteiro tira sarro desses momentos em linhas de dialogo como: "A gente resolve isso na hora", "Eu vou dar um jeito" ou "Foi por pouco, como sempre".

Nem por isso devem ser negados os méritos de Christopher McQuarrie. O diretor soube ser criativo o suficiente para despertar a agonia em momentos pontuais; mesmo quando já havia previsão do resultado. Destaque para uma cena no final do filme, onde o cineasta usou um recurso visual para deixar uma dúvida no expectador. Realmente, uma cena de gelar a espinha.

O trabalho de Tom Cruise nas cenas de ação parece ter chegado ao seu ápice, não é a toa que o astro teve uma contusão. Sem a utilização de dubles, o artista fez cenas perigosas que demandaram um extremo esforço físico. O protagonista vai de um extremo ao outro. O desempenho do ator foi além dos malabarismos, Cruise também mostrou sua capacidade de atuar. O protagonista Ethan Hunt de fato é um espião imprudente, que recorre ao improviso e não segue o padrão. Mas isso não se dá por falta de eficiência, e sim por que ele tem uma alma. O roteiro do filme mergulhou fundo na psique do personagem, mostrando seus medos, conflitos e moralidade. Hunt muitas vezes é incapaz de tomar decisões difíceis e não tem força para agir inescrupulosamente.

Com relação ao resto do elenco, a equipe de Ethan Hunt não poderia estar melhor. Apesar de não haver grandes mudanças nos papeis de Benji (Simon Pegg), Ilsa (Rebecca Ferguson) e Luther (Ving Rhames), os personagens conseguem gerar a empatia do publico. O time de Ethan é a típica "galera do fundão" na sala de aula. São um grupo de amigos brincalhões e carismáticos. Não são só uma equipe, são uma família.

Outros atores que não ficaram por menos são Alec Baldwin e Angela Bassett. No filme anterior o personagem de Baldwin era a figura do burocrata irritante, agora, esse papel está nas mãos de Bassett. Não há duvidas que haverão pessoas para xingar a fria e calculista Erica Sloane. O ator Sean Harris retorna como o vilão Solomon Lane. O ator mais uma vez é fascinante em sua interpretação e agora, o personagem não tenta esconder a sua insanidade.

Outro retorno é o de Michelle Monaghan como Julia, ex-mulher de Ethan. Diferente do que muitos possam pensar, a personagem não está lá a toa. A aparição de Julia tem uma utilidade e um propósito dentro da trama. Existe também um pouco de humor devido a sua interação com Ilsa Faust.

Por ultimo, mas não menos importante, Henry Cavill com seu super bigode. O agente August Walker é brutal, misterioso, inescrupuloso e as vezes, até mesmo assustador. Realmente o diretor estava certo ao dizer que o bigode era necessário para retirar a cara de bonzinho do ator. Ninguém gostaria de olhar para ele no próximo filme do Superman com o mesmo rosto após seu desempenho nesse filme. O trabalho de Cavill é eficiente, o ator obviamente se dedicou para fazer o antagonista. A proibição da remoção do bigode também se justifica. Em declaração a imprensa, o diretor do filme revelou que o ator não poderia colocar um bigode postiço devido as cenas de ação; ele estava certo. Isso se dá principalmente na cena final.

Mas nem tudo são flores. O ritmo acelerado e frenético do longa as vezes deixam o publico sem tempo para tomar um folego e recapitular os detalhes da trama. Felizmente, isso não prejudica o maravilhoso trabalho dessa sequencia incrível.

Nota: 4/5

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