• Por: Paulo Lídio

Pantera Negra | Crítica – A prova definitiva que a Marvel não faz filmes apenas para diversão, mas t


Chadwick Boseman interpreta T'Challa, o Pantera Negra (Imagem: Marvel/Divulgação)

Depois da participação de T’Challa (Chadwick Boseman) em Capitão América – Guerra Civil, o público ficou na expectativa de um filme solo do Rei de Wakanda. Isto posto, chegamos ao ano de 2018 e agora temos o filme solo do Pantera Negra. Para muitos este seria só mais um filme de origem com a boa e velha “Fórmula Marvel”. Mas não foi o que aconteceu, o estúdio soube se reinventar e entregou coisas novas aos que foram e ainda vão ir ao cinema.

A começar pela seleção de direção, elenco e trilha sonora do filme. O escolhido para comandar o longa foi Ryan Coogler (31 anos). Um jovem diretor que têm em seu portfólio dois filmes elogiados pelo público e crítica, A Última Parada e Creed, longas com grande importância na produção, orçamentos médios e mensagens profundas. Em comum os dois filmes têm a presença de Michael B. Jordan, jovem ator com carreira em ascensão que costuma acompanhar o diretor em seus trabalhos, além é claro, de já ter se aventurado nas telas do cinema na pele de Johnny Storm, o Tocha Humana, no Quarteto Fantástico (2015).

Wakanda, o local com maior tecnologia no Planeta Terra (Imagem: Marvel/Divulgação)

Além dos protagonistas citados acima, não podemos nos esquecer de outros importantes nomes que integram o elenco de Pantera Negra: Lupyta Niong’o (Nakia), Danai Gurira (Okoye), Daniel Kaluuya (W’Kabi) e Forest Whitaker (Zuri). O que todos têm em comum? Atores negros de destaque em Hollywood. Combinando com esse elenco recheado de estrelas, o responsável pela trilha sonora do filme é o rapper Kendrick Lamar, um dos maiores músicos da atualidade, principal rapper e produtor do momento, ícone do hip hop americano e negro.

Pode parecer que os parágrafos acima fogem do item principal desta crítica, mas na verdade tudo se conecta. Pantera Negra não se trata apenas de um filme solo de herói da Marvel, mas sim de algo totalmente inédito por parte do estúdio. A produção não só se preocupa em entregar um bom entretenimento, mas também em criar uma identidade com um público que em muitas situações não é representado da maneira que deveria.

Os coadjuvantes possuem papel fundamental na trama de Pantera Negra (Imagem: Marvel/Divulgação)

A contribuição e reflexão de Pantera Negra vão muito além dos nomes envolvidos na produção. As cenas de Wakanda, o figurino africano e a representação religiosa das tribos fazem tributo a um povo que, mesmo a margem da sociedade, possui uma rica e inexplorada cultura. Essa representação não se limita apenas as cenas de Wakanda, mas também aos cenários do gueto americano. O casamento perfeito entre trilha sonora e ambientes urbanos causa uma imediata identificação, que deixa evidente as questões sociais e financeiras que os negros passam na atual situação dos Estados Unidos.

Quanto ao filme, é necessário dar muitos pontos ao diretor Ryan Coogler. A trama contém elementos fortes e reflexivos que não são característicos da Marvel. A história é fluída e fácil de entender, como um bom e velho filme de origem. Conhecida por muitas vezes exagerar no quesito humor e entretenimento, a Marvel soube acertar o tom entre os momentos de drama e mensagens sociais, mas sem esquecer dos momentos precisos de alívio cômico.

Apesar de lutas bem coreografadas, o CGI está em excesso no filme (Imagem: Marvel/Divulgação)

O elenco de apoio também é fundamental ao filme. As participações dos atores Martin Freeman (Everett Ross) e Andy Serkis (Garra Sônica) são excelentes, deixando brechas para as próximas produções e finalizam os arcos que tiveram início desde as primeiras aparições de Wakanda no MCU (sem spoilers, ok?). Outro grande acerto da Marvel, que esperamos que seja para ficar, é em relação ao vilão do filme. Com a grande atuação de Michael B. Jordan no papel de Killmonger, é possível trazer as telas elementos fundamentais para um bom antagonista: motivação, afinidade, desafio e importância para a trama. Você pode até odiar o personagem, mas graças a mensagem principal do filme, é possível ao menos compreender o porquê de suas ações.

Chadwick Boseman faz sua parte ao assumir o papel do personagem principal, mostrando toda sua evolução desde a participação em Capitão América – Guerra Civil. A jornada do herói pode ser um clichê nos filmes do gênero, mas dessa vez provou-se necessária e útil para a finalização da trama, deixando brechas para a continuação do MCU e de mais filmes solos do Pantera Negra. T’Challa não só é um homem bom, como também consciente; o monarca wakandiano personifica a mensagem que passou em Guerra Civil quando não quis deixar a vingança consumi-lo, ele demonstra os ideais de coragem, honra e compaixão, sem deixar que isso o transforme em um personagem chato. É correto dizer isso: o Superman da Marvel existe, porém não é o Capitão América e muito menos o Thor.

Claro que nem tudo são acertos, mas o que podemos definir como erro não afeta a experiência do longa. O diretor vêm de filmes onde são predominantes os cenários urbanos. O talento de Coogler nesse quesito fica evidente nas sequências de ação e perseguição da Coréia do Sul. Infelizmente os momentos que se passam em Wakanda não tem essa mesma qualidade. Não entendam mal, as cenas em terra africana não são ruins. O único problema fica por conta do excesso de CGI (tanto no cenário, quanto nos trajes do Pantera Negra e Killmonger), essa falha já havia ocorrido em Capitão América – Guerra Civil e Spider-Man – Homecoming. Mas tudo isso é plausível de conserto, vide que o diretor é jovem, tende a evoluir e é cotado como um dos favoritos a dirigir a sequência do Rei de Wakanda.

Se você for ao cinema para assistir um filme divertido, Pantera Negra é uma excelente escolha para todos e vai muito além disso. A produção entrega uma mensagem importante, reflexiva e necessária para a sociedade dos dias atuais. A Marvel pode ter fama de trabalhar sempre nos moldes da sua chamada “fórmula mágica”, porém o estúdio acertou o tom, oferecendo um roteiro inovador e eficiente ao retratar algo que tinha tudo para ser comum, mas que no fim das contas, se tornou algo denso e profundo, digno de uma das suas maiores produções até hoje.

Nota: 4,5 / 5

*Revisado por: JV Vicente **Crítica por: Paulo Lídio, estudante de jornalismo da Anhembi Morumbi - 7º semestre

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