• Por: Paulo Lídio

Heróis da Fox | Crítica – O estúdio pode não ser o favorito dos críticos e fãs, mas tem seu legado n

Se você é fã da cultura geek e nerd, principalmente dos heróis no cinema, com certeza partilha de um sentimento estranho. A Disney, com a Marvel Studios, segue como soberana no mercado com seus filmes, séries e universo expandido. Do outro lado temos a Warner com os filmes e séries da DC, que mesmo gerando críticas e opiniões extremas, vai muito bem obrigado na bilheteria.

Agora você pode se perguntar: “O título desse artigo não é sobre a FOX?”. Sim, você está correto. O grande problema está nessa questão. A FOX segue como um dos maiores grupos de comunicação do mundo, além de ser um dos mais rentáveis estúdios de cinema de todos os tempos. A bronca dos fãs e críticos fica por conta do universo de heróis da Marvel que cabem a gigante americana.

Você que é fã e sabe o básico do universo cinematográfico da Marvel nos cinemas deve saber o porque de alguns personagens pertencerem a Disney e outra parte a FOX. Caso não saiba, aqui vai o resumão básico da ópera: nos anos 90, a Marvel estava à beira da falência e saiu vendendo seus direitos de personagens para várias empresas, incluindo FOX (Universo X-Men) e Universal Studios (O Incrível Hulk). Porém lá em 2008 quando a Disney comprou a Marvel Studios e decidiu montar seu universo expandido, conseguiu comprar de voltar os direitos de quase todas as empresas, menos justamente da FOX e Universal.

Primeiro filme dos X-Men nos cinemas, com direção de Bryan Singer (Créditos: Fox Studios/Divulgação)

Isto posto, vamos direto ao assunto. A FOX deve sim ser reconhecida como pioneira no mundo dos heróis no cinema. Jamais poderemos nos esquecer da trilogia dos X-Men de Bryan Singer. Uma trilogia que foi inovadora para sua época (início dos anos 2000) e que soube trazer os mutantes dos quadrinhos para algo mais realista e palpável (os universos pretos e mansão X que o digam).

O grande problema foi a acomodação e falta de reinvenção por parte da FOX. A Disney optou por priorizar a construção de arcos fortes e interligados, além da fidelidade nas adaptações, caracterização, etc. Pelos lados da Warner a trilogia Batman, de Christopher Nolan, foi fundamental para alavancar a DC no cinema após o fracasso de Joel Schumacher no fim dos anos 90, trazendo o universo expandido a partir do filme Homem de Aço, de Zack Snyder.

Enquanto os estúdios concorrentes corriam em busca das altas bilheterias, elencos recheados de estrelas e histórias adaptadas dos quadrinhos que agradam aos fãs, a FOX parou no tempo e ficou limitada aos X-Men. Os mutantes sofreram nas mãos do estúdio e de seus diretores. Linha cronológica confusa, uniformes e enredos fracos, atores contratados mais por sua fama e necessidade de marketing do filme e não por sua qualidade de atuação. As adaptações do Quarteto Fantástico foram no mínimo medianas quando se pensa no potencial desses personagens nas histórias em quadrinhos. Três filmes com recepção ruim tanto por parte da mídia especializada quanto pelos fãs.

Claro que no meio disso tudo não existe apenas tragédias. Os méritos também são grandes, mesmo que menos que os deméritos. Além de ser na minha humilde opinião a pioneira dos grandes filmes de heróis no século XXI com a trilogia original dos X-Men (goste ou não, filmes revolucionários para a época), outros filmes merecem destaque. O reboot da franquia com o filme “X-Men: Primeira Classe” parecia que traria a FOX de volta aos trilhos. Nomes como James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrende deram aos fãs a esperança de um respiro para um futuro digno a franquia. Uma pena que as sequências que vieram depois foram tão fracas e sofríveis, o que praticamente tira o mérito desse filme.

"X-Men: Primeira Classe" parecia a salvação da franquia, mas as suas continuações foram abaixo do esperado (Créditos: Fox Studios/Divulgação)

Os únicos filmes que é possível dizer que não houveram falhas e correram dentro do esperado são Deadpool (2016) e Logan (2017). O primeiro é um spin-off de um dos melhores personagens da Marvel nos quadrinhos e que foi bem adaptado em outro spin-off (X-Men Origens: Wolverine), mesmo que a sua aparição final tenha sido um desastre.

A pedido dos fãs e do próprio interprete do personagem, o excelente ator Ryan Reinolds, o longa contou com um orçamento baixíssimo e lucrou horrores, trouxe algumas das caracterizações mais fiéis já feitas em filmes de heróis até hoje, além de muito bem aceito por mídia e fãs, garantindo uma trilogia ao tagarela mascarado.

Deadpool, o maior exemplo de filme com baixo orçamento, lucro alto e críticas positicas (Créditos: Fox Studios/Divulgação)

Já o filme Logan é mais do que uma homenagem ao personagem mais amado dos X-Men, tanto nos quadrinhos quanto no cinema sendo interpretado por Hugh Jackman. Salvando muitas vezes os filmes dos X-Men nos quais fez parte, o Carcaju recebeu a sua devida homenagem através de um filme que adaptou, com bastante fidelidade e drama, um de seus principais arcos nas histórias em quadrinhos.

Para muitos o mutante melhor adaptado nos cinemas, o Wolverine de Hugh Jackman teve a sua merecida homenagem no filme Logan (Créditos: Fox Studios/Divulgação)

É inegável que caso a venda da Fox Studios para a Disney se concretize, um reboot deve ocorrer no universo dos mutantes. Aos fãs resta a esperança de que finalmente teremos os X-Men e Quarteto Fantástico que sempre merecemos, através da Marvel Studios, que raramente falha utilizando sua "fórmula". Porém não sejamos ingratos, muitas alegrias que ganhamos no cinema graças a era dos heróis tem um dedo da Fox, que soube ser ousada no início dos anos 2000 ao apostar naquele que seria o gênero mais rentável da atualidade: Super Heróis.

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