• Por: Alexandre Agassi e J.V. Vicente

Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica - Kenneth Branagh acertou?


O filme “Assassinato no Expresso do Oriente” é uma adaptação do livro homônimo de Agatha Christie. Na história, um homicídio é cometido no Expresso do Oriente, levando o detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) a utilizar sua genialidade para desvendar quem é o assassino dentre os diversos suspeitos presentes no trem.

Dirigido e estrelado por Kenneth Branagh (Harry Potter e a Camara Secreta), o longa também conta com os famosos nomes de Johnny Depp (Piratas do Caribe), Daisy Ridley (Star Wars: o Despertar da Força), Josh Gad (A Bela e a fera), Michelle Pfeiffer (Scarface), Judi Dench (007), Willian Dafoe (Homem-aranha) e Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona).

Atualmente, ao buscar a magia da nostalgia, as adaptações de histórias clássicas tem tentado inutilmente reproduzir o estilo dos filmes da década de 50. Porém, o longa é eficiente em balancear a estética dos filmes antigos com a dos atuais. Há momentos em que as cenas seguem um padrão que referencia ao gênero noir. Um exemplo disso são os takes não explícitos de violência, que remetem claramente à censura dos filmes de época.

Muitos cineastas contratam nomes de peso apenas para vender um filme, deixando o potencial desses atores de lado em personagens rasos. Esse não foi o caso. As celebridades do longa têm um desempenho satisfatório. Kenneth Branagh é o grande destaque, que em momentos dramáticos consegue ressaltar seu brilho como o ótimo ator que é. Como diretor, Branagh deu a cada um dos atores coadjuvantes tempo de tela necessário para exercer personagens profundos e complexos. O talento de cada um dos grandes nomes envolvidos nessa produção foi aproveitado e suas performances ajudam no envolvimento emocional do público.

Após a série de adaptações de obras de Shakespeare realizadas nos anos 1990, Branagh sofreu uma decadência na década de 2000 e no início desta, levando a fazer alguns longas fracos e de qualidade duvidosa. Dentre eles estão “Thor” (2011), “Operação Sombra: Jack Ryan” (2014) e “Cinderella” (2015). Todavia, a adaptação de uma das maiores obras prima de Agatha Christie pode significar que sua carreira engate novamente. E como recentemente foi anunciado a sequência, “Morte no Nilo”, nota-se que o cineasta pretende criar uma saga baseada nos livros da maior escritora da narrativa policial / investigativa.

A fotografia do filme é abrangente, os detalhes de filtro, luz e posição são cuidadosamente trabalhados pelo diretor. A estética de cada cena se adapta ao clima emocional do momento. A ambientação da época é bem executada; os cenários e figurinos são deslumbrantes, o foco em personagens em momentos de tensão e diálogo carregam o espectador.

A trilha sonora funciona muito bem, tendo seu ponto mais alto justamente nas cenas de ação e no plot twist (final surpreendente). Embora seja muito boa, não sai do comum dos longas de investigação.

Despretensioso e agradável, Assassinato no Expresso do Oriente é a prova de que a nostalgia que marcou antigas histórias de suspense e investigação pode ser feita de maneira eficiente e adequada no cinema.

Nota: 4 / 5.

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